Vivemos um tempo em que a humanidade, embora tecnicamente hiperconectada, parece espiritualmente desconectada de si mesma. A empatia, outrora entendida como a capacidade nobre de reconhecer no outro a própria fragilidade, foi sendo substituída por uma indiferença confortável, quase elegante, travestida de pragmatismo e de respeitar o espaço alheio. É o não me importo dos tempos atuais! O sofrimento alheio tornou-se ruído de fundo, absorvido por uma cultura que normaliza a dor desde que ela não atravesse o limite do interesse pessoal.
Nesse cenário, o outro deixou de ser sujeito para tornar-se objeto: número, estatística, avatar ou manchete efêmera. A pressa do mundo contemporâneo não permite pausas para a escuta, e a lógica da eficiência sufoca qualquer gesto que não produza vantagem imediata. Assim, a empatia, que exige tempo, silêncio e disposição para sentir, passa a ser vista como um luxo inútil, quando, na verdade, é o alicerce mínimo de qualquer civilização que se pretenda humana.
A ausência de empatia não é apenas um problema moral, mas um sintoma civilizatório profundo. Revela uma humanidade que aprendeu a calcular tudo, exceto o valor da vida, e que mede o mundo por métricas frias, esquecendo-se de que nenhuma sociedade sobrevive apenas de números. Somos uma tricotomia, logo, corpo, alma e espirito. Temos sentimentos e devemos expor com maturidade, segurança e confiança.
Onde a empatia desaparece, nasce um vazio ético que, cedo ou tarde, cobra seu preço, pois um mundo incapaz de sentir o outro é, inevitavelmente, incapaz de sustentar a si mesmo.
Não é desabafo, é a realidade que estamos vivendo e quem tenta se comportar com empatia, torna-se fraco, inclusive moralmente, o que é um absurdo!
Respeitar o espaço do outro, é apenas deixar de ser invasivo. Deixar de ser empático, é abandonar nossa condição humana e negar toda a nossa essência.
Por Nelson Salim Salles