A nova série documental Confie em Mim: o Falso Profeta vem chamando a atenção na Netflix ao apresentar um caso real que chocou os Estados Unidos. A produção acompanha a ascensão de Samuel Bateman, um autoproclamado profeta que liderou uma seita marcada por abusos, manipulação e controle extremo sobre os seguidores.
A investigação que levou ao documentário teve início com a chegada da especialista em psicologia de seitas Christine Marie e do cinegrafista Tolga Katas à região de Short Creek, em Utah (EUA). Os dois foram à região com o objetivo de ajudar a comunidade local, que lidava com a prisão de Warren Jeffs, antigo chefe da Igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (FLDS), condenado por crimes sexuais.
No entanto, o casal rapidamente viu o desenrolar de um cenário devastador na comunidade em que Bateman formou um grupo de seguidores ao dizer que tinha herdado a autoridade divina de Jeffs. Assim, o homem que se autointitulou Profeta, começou a impor obediência total e formou um grupo com diversas “esposas”, incluindo meninas menores de idade.
Com o tempo, o controle psicológico e os abusos se intensificaram, enquanto vítimas eram isoladas de familiares e submetidas a um sistema rígido dentro da seita. Em meio ao controle de Bateman, Christine e Tolga acabaram se infiltrando no círculo e registrando imagens que se tornariam provas fundamentais.
Com acesso direto ao líder, eles documentaram encontros, conversas e até confissões. Em um dos momentos mais impactantes, o falso profeta admite crimes envolvendo menores, com vítimas confirmando os relatos. Mesmo assim, as autoridades demoraram a agir e o material só ganhou força quando o FBI passou a investigar a situação.
O documentário aborda todos os detalhes do caso, incluindo a emboscada, organizada pelo FBI com a ajuda de Tolga, que levou à prisão de Bateman em 2022. Em 2024, ele foi condenado a 50 anos de prisão por envolvimento em sequestro e exploração sexual de menores. No entanto, mesmo preso, o ex-líder ainda exerce influência sobre parte dos seguidores.
Dirigida por Rachel Dretzin, a produção utiliza imagens inéditas e relatos reais de sobreviventes. Para proteger a identidade de vítimas menores de idade, a equipe recorreu ao uso de inteligência artificial para alterar rostos e vozes, mantendo as emoções reais dos depoimentos. A série documental conta com quatro episódios, todos disponíveis na Netflix.
Veja o trailer da produção:
Por Camilla Germano