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A tragédia cômica da República Tropicália; Os mensageiros da Hélade moderna

Nelson Salim Salles é apresentador de programas de rádio e de TV em Cacoal; trabalha há 30 anos na imprensa rondoniense.

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A tragédia cômica da República Tropicália; Os mensageiros da Hélade moderna

À maneira dos filósofos gregos que, entre ânforas de vinho e debates sobre o éter, contemplavam a inexorável decadência das pólis, observamos, do proscênio jornalístico, o espetáculo tragicômico da política nacional. No palco, um coro de personagens — cada qual com sua túnica de vaidades — encena a epopeia de um Brasil que insiste em rivalizar com Aristófanes no quesito sátira involuntária. O drama central ? Um ex-presidente julgado por conspiração, que cumpre prisão domiciliar e segundo denúncias de jornais do Sudeste, regada a churrasco e baralho, numa espécie de symposium tupiniquim, onde o vinho foi substituído por cerveja em lata e o discurso retórico por conversas de WhatsApp.

Na plateia, os magistrados supremos, ora em concílio, ora em duelo de vaidades, decidem o destino da democracia como se revissem as tragédias de Sófocles — mas com diálogos escritos por roteiristas de stand-up político. Enquanto isso, no ato paralelo, os oráculos de Washington decidem banir vistos de parentes de ministros, como se a diplomacia fosse um jogo de tabuleiro. Os mensageiros da Hélade moderna — vulgo redes sociais — amplificam indignações seletivas, em que esquerda e direita disputam quem blasfema com maior propriedade, numa agonia platônica pelo monopólio da verdade.

Eis a ironia suprema: cada escândalo, cada decreto e cada “fala polêmica” é recebido pelo público como novo capítulo de uma série que já perdeu o roteiro, mas mantém audiência. Não mais buscamos a arete (virtude) de Péricles, nem a sabedoria socrática; contentamo-nos com a catarsis da fofoca institucional. Assim, a nação segue seu curso, navegando não pela bússola de Aristóteles, mas ao sabor das marés midiáticas, onde cada notícia é uma peça, cada político um ator, e o povo, ora espectador, ora figurante, aplaude — ou vai — conforme o vento da opinião pública. Que Deus nos acuda! Da Redação No Brasil, as redes sociais deixaram de ser apenas plataformas de interação e se consolidaram como arenas de influência política, econômica e cultural, ditando tendências, moldando opiniões e, muitas vezes, polarizando debates em escala nacional. Com milhões de usuários conectados diariamente, o país figura entre os maiores consumidores dessas plataformas no mundo, transformando likes, compartilhamentos e comentários em termômetros da opinião pública e, por vezes, em armas poderosas na disputa por narrativas. O Minuto Notícia – Informação é Poder!

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