
As cotações do açúcar sofreram forte queda no mercado físico do Estado de São Paulo na última semana, informa o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Já os preços do etanol estão firmes.
Apesar de apresentar uma leve recuperação nos últimos dois dias úteis, o indicador Cepea/Esalq para o açúcar cristal branco ainda teve um recuo acumulado de 0,98% em março, com a cotação de R$ 97,62 a saca de 50 quilos nesta segunda-feira (16/3).
As baixas do indicador refletem ajustes no mercado físico e menor volume de negociações. Já no cenário internacional, pesquisadores do Cepea indicam que o conflito no Oriente Médio influenciou os preços do açúcar demerara negociados na Bolsa de Nova York. A escalada das tensões e a valorização do petróleo, que passou de cerca de US$ 72,00 para US$ 103,00 por barril, são fatores que têm impulsionado os valores externos do adoçante.
O Cepea também destaca que, caso o conflito se prolongue, os problemas logísticos para o escoamento do açúcar podem se intensificar. Distâncias maiores, aumento nos custos de frete e de seguro tendem a dificultar o transporte do produto. Além disso, o Oriente Médio é um importante destino do açúcar brasileiro.
Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), os países da região que vêm sendo mais afetados pelo conflito (Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Iêmen, Israel, Iraque e Omã) foram destino de mais de 5 milhões de toneladas de açúcar do Brasil em 2025, volume que corresponde a 15% de toda a exportação brasileira do produto. Parte desse açúcar poderá permanecer retida em armazéns nas regiões produtoras, aguardando condições mais seguras para o embarque.
Etanol
Agentes de usinas paulistas estão firmes nos preços do etanol em novas negociações, influenciados pelo volume restrito do biocombustível disponível neste período de entressafra e pela alta do petróleo diante dos conflitos no Oriente Médio, informa o Cepea.
Do lado da demanda, a procura por biocombustível é considerada razoável. Diante das incertezas sobre o cenário global, dos preços do petróleo e das políticas da Petrobras, distribuidoras seguem cautelosas, aguardando novas definições e adquirindo apenas volumes suficientes para atender a necessidades imediatas.
Assim, entre 9 e 13 de março, o indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou a R$ 2,9439 por litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), pequena alta de 0,30% em relação ao período anterior. Para o etanol anidro, a cotação foi de R$ 3,2731 por litro, ligeiro recuo de 0,02% na mesma base de comparação.
Por Marcelo Beledeli — Porto Alegre