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Alemanha amplia apoio ao setor cafeeiro para assegurar oferta

País europeu, que não é produtor, mas está entre os principais exportadores, fomenta projetos de cultivo sustentável.

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Alemanha tem sofrido com as oscilações de preços do café no mercado internacional — Foto: Canva/Creative Commons

A Alemanha não produz café, mas é a quarta maior exportadora mundial do produto torrado e moído, tendo embarcado US$ 5,4 bilhões em 2025. Segundo maior importador de café verde, depois dos Estados Unidos, o país europeu tem sofrido o impacto das fortes oscilações dos preços do grão no mercado internacional.

Para se proteger da instabilidade do mercado, a Alemanha tem lançado mão do financiamento climático para fomentar projetos de cultivo sustentável em grandes países produtores, como o Brasil. O objetivo é garantir mais estabilidade na oferta global de café.

Um estudo produzido pela Zero Carbon Analytics indica que o financiamento climático pode ajudar a estabilizar o comércio de café com parceiros consolidados e fortalecer as relações comerciais com países menos desenvolvidos. A oferta garantida do grão ajuda a dar mais equilíbrio aos preços, favorecendo a indústria alemã, que compra matéria-prima mais barata, e ajudando a controlar a inflação alimentar no país.

De acordo com dados da Associação Alemã do Café, em 2025, o consumo de café na Alemanha somou 7,6 milhões de sacas de 60 quilos, uma queda de 1,5% em relação a 2024. Em valor, esse mercado cresceu 23,5%, para 8,98 bilhões, devido à alta nos preços internacionais do grão. Cerca de 40% desse volume saiu do Brasil. Em 2025, os embarques brasileiros ao país caíram 28,8%, para 5,41 milhões sacas. A queda deveu-se a perdas na safra pelo clima.

Jessica Nicol, pesquisadora de finanças e mercados da Zero Carbon Analytics e coordenadora do estudo, diz que mais de 98% do café importado pela Alemanha vêm de países classificados como moderadamente ou altamente vulneráveis às mudanças climáticas, incluindo o Brasil. “O financiamento climático pode desempenhar um papel importante para aumentar a resiliência do setor, com fornecedores consolidados, como o Brasil, e com parceiros menos desenvolvidos, como a Etiópia”, afirma.

Esse financiamento também favorece pequenos agricultores. Segundo a organização Family Farmers for Climate Actions, embora representem 80% da produção mundial de café, os pequenos produtores recebem apenas 0,36% do financiamento para adaptação às mudanças climáticas, devido a barreiras de acesso a crédito e concorrência elevada.

Nicol acrescenta que a Alemanha é um dos principais fornecedores de financiamento climático no mundo, por meio de programas internacionais desenvolvidos através de órgãos estatais, como a Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e o Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento da República Federal da Alemanha (BMZ). Em 2024, o financiamento climático internacional da Alemanha atingiu 11,8 bilhões.

Um exemplo é o programa Sustainable Agriculture for Foreest Ecosystems (SAFE), financiado pela GIZ, com 65,5 milhões de euros em recursos. No Brasil, o programa financia assistência técnica a mais de 600 agricultores e cooperativas das regiões Transamazônica e do Xingu. Em abril, os governos brasileiro e alemão assinaram uma declaração conjunta de intenção, com perspectiva de aporte de R$ 4,1 bilhões (700 milhões) em projetos verdes no Brasil.

Por Cibelle Bouças — Belo Horizonte


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