
A Aliança Agrícola do Cerrado, trading controlada pelo grupo russo Sodrugestvo, informou que obteve uma tutela antecipada que antecipa os efeitos de uma recuperação judicial, e suspende execuções, bloqueios e penhoras de ativos. A decisão foi proferida na última quarta-feira (11/3) pela juíza Claudiana Silva de Freitas da 10ª Vara Cível da Comarca de Uberlândia (MG), após a empresa recorrer diante de uma primeira negativa da magistrada.
A empresa entrou com pedido de recuperação judicial em janeiro para repactuar mais de R$ 1 bilhão em dívidas, mas teve sua solicitação negada inicialmente em fevereiro pela juíza, que questionou a capacidade da Aliança Agrícola se reerguer.
A empresa recorreu, e informou ter agora um “contrato de industrialização” com a ADM, sem especificar sobre qual produto nem os termos do acordo, e que contaria com “início imediato”, de acordo com comunicado publicado em suas redes sociais.
Diante do acordo, a magistrada concedeu a tutela, mas também determinou a realização de constatação prévia — procedimento feito para verificar se a empresa cumpre com os requisitos para entrar em recuperação judicial. A realização de constatação prévia tem se tornado comum nos processamentos de recuperação judicial.
Em seu comunicado, a Aliança Agrícola disse que “sofreu com a queda dos preços da soja, volatilidade do mercado de trading e aumento dos custos financeiros do seu endividamento, o que culminou na necessidade de requerer a recuperação judicial para uma reestruturação organizada de suas obrigações”.
A empresa tem atualmente cerca de 200 colaboradores e duas plantas industriais em São Joaquim da Barra (SP) e Bataguassu (MS).
Por Camila Souza Ramos — São Paulo