
A paciência dos moradores chegou ao limite. Depois de pelo menos duas décadas de promessas e expectativas pela pavimentação da RO-133, conhecida como Estrada do Calcário, moradores de Espigão do Oeste (RO), decidiram intensificar a cobrança ao poder público e mantêm, nesta terça-feira, 25 de agosto, a mobilização iniciada ainda pela manhã.
A manifestação ocorre em meio à indignação com a paralisação dos trabalhos em um trecho que, segundo os moradores, já havia recebido preparação para avançar com a pavimentação. O que deveria representar a proximidade do tão esperado asfalto acabou dando lugar novamente à incerteza.
Máquinas teriam sido retiradas, os serviços não avançaram e a massa asfáltica não chegou.
Para quem mora na região e acompanha há anos as promessas envolvendo a RO-133, a situação foi considerada a gota d'água.
Moradores querem saber por que máquinas foram retiradas
Informações que chegaram à redação do O Minuto Notícia apontam que o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes (DER-RO) teria apresentado justificativas relacionadas à empresa responsável pelos serviços.
Segundo relatos dos manifestantes, a explicação apresentada seria de que a empresa deixou de cumprir determinadas obrigações contratuais e que procedimentos administrativos e aditivos seriam necessários para a continuidade dos trabalhos.
A justificativa, entretanto, não convenceu os moradores.

A principal pergunta feita pela comunidade é simples: se a estrada já havia recebido preparação para o asfaltamento, por que os trabalhos não foram concluídos e quando as máquinas retornarão?
Depois de tantos anos aguardando pela pavimentação, os moradores afirmam que não querem apenas novas promessas. Eles cobram prazo, planejamento e uma resposta concreta sobre a continuidade da obra.
Enquanto o asfalto não chega, quem vive às margens da Estrada do Calcário convive diariamente com uma realidade conhecida há anos: poeira e trânsito pesado.
Dezenas de caminhões carregados com calcário passam pela RO-133 todos os dias. Em uma estrada de chão, cada veículo pesado que passa levanta grandes nuvens de poeira, atingindo casas, propriedades rurais e quem precisa circular pelo trecho.
Os moradores também reclamam da desvalorização das propriedades localizadas ao longo da rodovia e dos prejuízos provocados pelas condições da estrada.
A situação se torna ainda mais preocupante quando envolve crianças e adolescentes.
Estudantes que moram na região dependem do transporte escolar e, segundo relatos apresentados durante a manifestação, precisam enfrentar diariamente a poeira para chegar aos pontos de embarque. Em determinados momentos, a quantidade de terra suspensa pelo trânsito dos caminhões compromete até mesmo a visibilidade na estrada.
Outro ponto levantado pelos manifestantes chama atenção para uma contradição que, segundo eles, existe há anos na região.
A Estrada do Calcário é utilizada diariamente para o transporte de uma riqueza mineral importante para Rondônia. Entretanto, moradores questionam quanto desse intenso movimento efetivamente beneficia economicamente Espigão do Oeste.
Nos vídeos divulgados durante a manifestação, participantes afirmam que muitos caminhões simplesmente atravessam o município e seguem viagem.
Segundo os relatos, esses veículos pouco utilizariam restaurantes, lanchonetes, borracharias ou outros estabelecimentos locais.

Na avaliação dos manifestantes, os caminhões levam o calcário, enquanto para quem mora às margens da estrada ficam a poeira, o barulho, o trânsito pesado e os riscos.
A cobrança pelo asfaltamento não envolve apenas conforto.
Moradores chamam atenção para os riscos de acidentes provocados pela combinação entre estrada de chão, poeira, sinalização considerada insuficiente e circulação constante de caminhões pesados.
Produtores rurais, chacareiros, motociclistas, trabalhadores, famílias e veículos do transporte escolar dividem diariamente o mesmo trecho com caminhões carregados.
Em períodos de maior movimento, a poeira levantada pode reduzir consideravelmente a visibilidade, aumentando a preocupação de quem precisa utilizar a rodovia.
A mobilização desta terça-feira representa o desgaste acumulado ao longo dos anos.
Depois de aproximadamente duas décadas ouvindo falar sobre a pavimentação da Estrada do Calcário, os moradores querem saber quando a obra será efetivamente concluída.
Mais vídeos da manifestação foram divulgados ao longo do dia, reforçando a insatisfação da comunidade e mostrando que o movimento continua.
Agora, os moradores aguardam uma resposta concreta do Governo de Rondônia sobre o futuro da obra, a situação contratual dos serviços e, principalmente, quando as máquinas voltarão à RO-133 para transformar uma promessa de décadas em asfalto.
O O Minuto Notícia segue acompanhando a mobilização e buscará atualizar as informações à medida que houver novos posicionamentos oficiais e desdobramentos na Estrada do Calcário.
Nelson Salles da Redação
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