
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou os gastos com anúncios no Instagram e no Facebook e já desembolsou R$ 21 milhões até meados de maio para divulgar programas federais, obras e medidas de apelo popular. O valor é quase o dobro dos R$ 11,45 milhões gastos no mesmo período do ano passado e concentra campanhas em áreas consideradas estratégicas para o governo às vésperas do início da campanha eleitoral em que ele tentará a reeleição.
Os dados da biblioteca de anúncios da Meta foram compilados pelo Estadão, publicados neste sábado (23), e mostram que as campanhas impulsionadas pelo Palácio do Planalto miram principalmente estados com os maiores colégios eleitorais do país, como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia. Parte da verba também foi direcionada para ações no Rio Grande do Sul, Ceará, Pernambuco e cidades mineiras atingidas por enchentes.
O calendário definido pelo Tribunal Superior Eleitoral estabelece que o governo poderá promover publicidade institucional apenas até o dia 4 de julho. Depois desse prazo, ficam autorizadas somente propagandas de produtos e serviços que tenham concorrência no mercado, salvo casos de urgência reconhecidos pela Justiça Eleitoral.
Lula tem sido um forte crítico das redes sociais, acusando-as de difusão de suposta desinformação e discurso de ódio. Nesta semana, ele assinou decretos que aumentam a responsabilização das plataformas por conteúdos publicados por usuários, o que gerou reação imediata da oposição, que tentará derrubá-los no Congresso.
Veja abaixo como foram divididos os R$ 21 milhões gastos pelo governo com anúncios no Instagram e no Facebook:
- Entregas do governo: R$ 4,2 milhões (20,43%);
- Novo PAC: R$ 3,3 milhões (15,83%);
- Isenção do Imposto de Renda: R$ 2,8 milhões (13,53%);
- Fim da escala 6x1: R$ 2 milhões (9,98%);
- Segurança pública: R$ 1,5 milhão (7,18%);
- CNH: R$ 931 mil (4,43%);
- Gás do Povo: R$ 831 mil (3,98%);
- Pé-de-Meia: R$ 631 mil (3%);
- Medidas para combustíveis: R$ 568 mil (2,7%);
- Reforma Casa Brasil: R$ 552 mil (8,83%);
- Outras iniciativas: R$ 3,4 milhões (16,39%).
Entregas do governo
Entre os maiores investimentos digitais do governo está a divulgação de entregas variadas do governo, que somaram R$ 4,2 milhões. Na sequência, o Novo PAC, principal vitrine do terceiro mandato de Lula, levou R$ 3,3 milhões e destacou obras em estados como Santa Catarina, Maranhão, Pará, São Paulo, Amazonas, Acre e Alagoas.
Outra aposta do governo nas redes sociais foi a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil por mês. A campanha consumiu R$ 2,85 milhões e foi usada para reforçar uma das principais bandeiras que o petista pretende usar na campanha eleitoral.
A defesa do fim da escala 6x1 também ganhou forte espaço nas plataformas da Meta e já recebeu cerca de R$ 2,1 milhões em anúncios, outra iniciativa do governo que Lula tem citado constantemente em seus discursos e que já adiantou que também usará na campanha. A proposta está em análise na Câmara dos Deputados e prevê a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas sem corte salarial.
Na área da segurança pública, considerada uma das fragilidades políticas do petista, o governo destinou R$ 1,5 milhão em campanhas digitais. As postagens destacam ações contra o crime organizado, exploração sexual de crianças e adolescentes e o endurecimento de penas para crimes como furto, roubo e golpes.
O governo também investiu quase R$ 932 mil para divulgar mudanças nas regras da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Entre as medidas anunciadas estão o fim da obrigatoriedade do curso teórico em autoescolas, a renovação automática e gratuita do documento e novas formas de aprendizagem.
O programa Desenrola, criado para renegociação de dívidas, também recebeu forte investimento publicitário com R$ 2,758 milhões em anúncios. “Tenha até 90% de desconto nas suas dívidas. Renegocie com o Novo Desenrola do Governo do Brasil. Procure seu banco”, afirma uma das publicações impulsionadas.
Gasto milionário com guerra
Por outro lado, uma das campanhas mais caras do período foi voltada aos combustíveis e às reações do mercado à guerra no Oriente Médio, com R$ 5,7 milhões gastos em peças para mostrar ações do governo para minimizar o aumento dos preços.
“Te contaram que o valor do combustível vai explodir? Então deixa que a gente te conta o que o Governo do Brasil está fazendo para você não pagar nada a mais”, dizia uma das peças patrocinadas. Outra postagem incentivava motoristas a denunciarem reajustes considerados abusivos em postos de combustíveis.
No ano passado, o governo federal fechou o período com cerca de R$ 39,1 milhões gastos em anúncios no Instagram e no Facebook. As campanhas mais impulsionadas foram justamente as relacionadas à isenção do Imposto de Renda, segurança pública e defesa da soberania nacional.
Por Guilherme Grandi
Lula e o ministro Sidônio Palmeira, responsável pela estratégia de comunicação do governo. (Foto: José Cruz/Agência Brasil)