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Áreas indígenas de Rondônia passam a contar com descentralização de soros antivenenos

A iniciativa busca descentralizar os estoques de soros antivenenos em regiões indígenas, reduzindo o tempo de resposta aos acidentes com animais peçonhentos e fortalecendo a assistência à saúde das comunidades.

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A mobilização estratégica é voltada à descentralização de soros antivenenos na Amazônia Legal assegurando saúde e dignidade de forma ágil a todos os rondonienses, respeitando e protegendo as comunidades indígenas

Cabixi é um município pequeno e acolhedor, considerado um paraíso das águas, localizado no Cone Sul do Estado, já na fronteira com o estado do Mato Grosso e com a Bolívia, delimitado pelo Rio Guaporé. No portal da entrada da cidade, a escultura do peixe já sinaliza uma das potências econômicas da cidade, e foi de lá, justamente um peixe, mais precisamente o pirarucu, a estrela da alimentação escolar rondoniense vencedora da premiação nacional.

Pirarucu ao molho com vegetais, arroz, farofa de vagem e abobrinha, laranja e pitaya. Essa foi a receita que levou Rondônia ao destaque na 3ª edição do Concurso Melhores Receitas da Alimentação Escolar, promovido pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), juntamente com o quibe de peixe com recheio de banana da terra da escola estadual de Ji-Paraná, que teve a segunda melhor pontuação do estado. Ao todo, 55 receitas foram selecionadas: duas de cada estado e uma da rede federal.

PIRARUCU AO MOLHO COM VEGETAIS

Foi a agente de alimentação Adenilza de Almeida Fagundes Nunes da Escola Estadual de Ensino Fundamental Chico Mendes, localizada na área rural de Cabixi (Linha 09, km 16, região do Rumo Escondido) que teve a ideia de desenvolver uma receita do Pirarucu ao molho com vegetais, arroz, farofa de vagem e abobrinha, laranja e pitaya. “Trabalho há 18 anos com alimentação escolar e a evolução que vivemos foi muito grande nos últimos anos”, relata.

Segundo Adenilza, a receita premiada é um reflexo dessa mudança: “Atualmente, há muito cuidado em privilegiar os produtos naturais e a alimentação saudável, buscando combinar qualidade e valor nutricional ao que é produzido na nossa região”. O pirarucu, por exemplo, é um importante produto regional de elevado valor nutricional.

O prato é fruto desse carinho e do apoio de toda a comunidade escolar, desde a direção aos estudantes. “Para mim, foi muito gratificante esse prêmio, ainda mais sendo a primeira colocada do Estado. Para esse concurso, eu não tive dúvida: minha receita principalmente foi voltada à cultura alimentar de Cabixi. Como nossa cidade é um portal de entrada que recebe turistas do Brasil inteiro, um lugar de fronteira onde a cultura do peixe é muito forte, eu quis mostrar isso e valorizar os produtos da agricultura familiar que recebemos. Eu fiz questão de usar o que temos, como a pitaya e a abobrinha”.

A estudante Lara Olinda Fagundes Matias, 13 anos, do nono ano do ensino fundamental, da Escola Estadual Chico Mendes, aprovou o novo cardápio na escola. “As mudanças promovidas na alimentação escolar ajudam a criar hábitos saudáveis, além de incentivar uma melhor qualidade de vida e prevenir doenças relacionadas à má alimentação. Acredito que ficou melhor, porque hoje a alimentação possui um cardápio bem variado, colorido e com bastante frutas e verduras. Dessa forma, a escola desempenha um papel fundamental na educação alimentar dos estudantes.”

A superintendente regional de Educação de Cerejeiras, Marlene Ribeiro, destaca que os avanços na qualidade da alimentação escolar na rede estadual são frutos de uma parceria estratégica. Atuando em cinco municípios, quatro distritos e três extensões rurais, a Superintendência garante suporte técnico às manipuladoras de alimentos, valorização dos produtores regionais e a integração da educação alimentar ao currículo escolar, empenho que rendeu à regional o reconhecimento nacional. “Nosso sentimento é de gratidão a todo o apoio técnico que recebemos do governo do Estado e da Secretaria de Educação. Estamos muito felizes em ver esse trabalho sendo reconhecido; a conquista da nossa manipuladora de alimentos, que vai a Brasília representar Rondônia, é o reflexo desse alinhamento entre a nossa equipe de nutricionistas, os produtores rurais e a gestão escolar”, afirma a superintendente regional”.

NOVA FASE DA ALIMENTAÇÃO ESCOLAR

As escolas de Rondônia, de norte a sul do estado, estão repletas de alimentações escolares, como a de Cabixi, que valoriza a gastronomia rondoniense e o valor nutricional dos alimentos. Isso porque a alimentação escolar da rede estadual de ensino de Rondônia tem vivenciado uma transformação nos últimos anos, reflexo dos investimentos realizados pelo governo do Estado. O governador de Rondônia, Marcos Rocha, pontuou que alimentação escolar vai muito além do fornecimento de refeições; é uma política pública estratégica para a promoção da saúde, do aprendizado, da permanência dos estudantes na escola e da formação de hábitos alimentares saudáveis.

“O governo de Rondônia investe para proporcionar o que há de melhor na Alimentação Escolar. Hoje os estudantes podem comer peixes, um produto tão rico em valor nutricional e que faz parte da cultura alimentar dos rondonienses; podem comer uma diversidade de frutas e verduras que vêm direto da agricultura familiar, uma alimentação saudável e que valoriza o trabalho dos produtores rurais dos municípios. Tudo isso é fruto de uma política pública construída com planejamento, responsabilidade e investimento contínuo. O governo está investindo em equipes técnicas qualificadas, fortalecimento da agricultura familiar e ampliando recursos destinados à alimentação escolar, e isso reflete diretamente na saúde, na educação e no futuro dos estudantes rondonienses”, ressaltou Marcos Rocha.

Rondônia demonstra que a valorização dos manipuladores de alimentos, dos nutricionistas, dos agricultores familiares e da comunidade escolar é o caminho para oferecer uma alimentação cada vez mais saudável, segura, inclusiva e nutritiva para milhares de estudantes em todo o estado.

Com o objetivo de expandir o acesso ao tratamento seguro e reforçar a vigilância epidemiológica, Porto Velho sedia, entre os dias 29 de junho e 2 de julho, uma mobilização estratégica voltada à descentralização de soros antivenenos na Amazônia Legal. O evento contempla, simultaneamente, a reunião técnica com os Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dsei) e a Capacitação de Médicos e Enfermeiros para Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos.

Coordenada pela Agência de Vigilância em Saúde de Rondônia (Agevisa/RO), em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) do Ministério da Saúde (MS), a iniciativa tem o propósito de estruturar a logística de soroterapia diretamente nas comunidades mais isoladas.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, destacou o impacto social e a relevância da ação para as populações tradicionais do estado. “A descentralização dos soros antivenenos é um passo histórico para a saúde pública de Rondônia. Levar o tratamento para dentro das áreas indígenas, reduzindo o tempo de resposta em casos de acidentes com animais peçonhentos é salvar vidas que antes dependiam de deslocamentos longos e complexos.”

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Os acidentes com serpentes são os mais recorrentes, somando 2.829 ocorrências entre 2021 e 2025

ESTATÍSTICA

A urgência da descentralização é respaldada pelos indicadores históricos do estado. Dados do Núcleo de Riscos Biológicos da Agevisa/RO apontam que, no período de 2021 a 2025, foram registrados 7.733 acidentes envolvendo animais peçonhentos em solo rondoniense. Desse montante, os acidentes ofídicos (com serpentes) destacam-se como os mais recorrentes, somando 2.829 ocorrências; seguidos por picadas de escorpiões (1.739 casos); e aranhas (1.187 casos). A Capital, Porto Velho, concentra o maior volume de notificações no estado, acumulando 1.226 atendimentos no período.

PROGRAMAÇÃO

A programação dos dois primeiros dias foca no alinhamento do processo de descentralização do manejo clínico de crianças do Hospital Cemetron para o Hospital Infantil Cosme e Damião (HICD) e no cronograma de execução em Rondônia. No auditório da Agevisa/RO, gestores debatem a experiência de projetos-piloto de estados vizinhos e avaliam a realidade de polos-base estratégicos como Guajará-Mirim, Ji-Paraná e Alta Floresta d’Oeste.

O diretor-geral da Agevisa/RO, Gilvander Gregório de Lima, ressaltou o papel da integração institucional. “Este esforço conjunto com o Ministério da Saúde e os Distritos Sanitários Especiais Indígenas é fundamental para a superação dos desafios logísticos da nossa região. Estamos desenhando uma matriz de gestão organizacional e uma rede de frio robustas que permitirão o armazenamento e a distribuição segura desses imunobiológicos. Assim, a Agevisa/RO cumpre sua missão técnica e humanitária de capilarizar o atendimento de urgência.”

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A capacitação é direcionada à atualização técnica de médicos e enfermeiros da rede pública

MANEJO CLÍNICO

A segunda etapa do treinamento, nos dias 1º e 2 de julho, acontece no Auditório do Núcleo de Imunização e é direcionada à atualização técnica de médicos e enfermeiros. O treinamento aborda desde a logística da rede de frio até o diagnóstico, tratamento e estudo de casos de acidentes ofídicos, aracnídeos e com outros animais de importância para a saúde pública. O conteúdo será ministrado por especialistas nacionais, incluindo representantes do Ministério da Saúde e do Instituto Butantan, além de especialistas locais em biologia de animais peçonhentos.

A Coordenadora Estadual do Programa de Acidente por Animais Peçonhentos da Agevisa/RO (GTVAM/NRB), Francimar de Oliveira Moisés, enfatizou a importância da notificação e do preparo na ponta. “Além de disponibilizar o soro, precisamos que as equipes locais saibam diagnosticar com precisão e manejar o paciente com segurança.”

Compreender a situação epidemiológica de Rondônia e manter a notificação rigorosa no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) permite ao estado direcionar mais precisamente os recursos. A capacitação empodera os profissionais de saúde e consolida uma rede de referência eficiente para o atendimento imediato ao cidadão.

Fonte

Texto: Andréia Fortini

Fotos: Daiane Mendonça e Daiane Brito

Secom - Governo de Rondônia

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