A cassação do vereador Wellington Fonseca, o popular “Negão do Isaú”, pela Câmara Municipal de Ji-Paraná, não é apenas o desfecho de um processo disciplinar. Trata-se de um marco no cenário político local, cujos reflexos ainda serão sentidos por muito tempo. Fonseca, que construiu sua imagem a partir de uma base popular expressiva, vê-se agora afastado da vida legislativa por decisão de seus próprios pares. A votação, com 16 votos favoráveis, revela não apenas uma condenação pessoal, mas também a clara sinalização de que a Câmara buscou preservar sua própria imagem diante de denúncias que maculam a credibilidade da instituição. A ascensão do suplente Maycon Roberto (MDB) abre espaço para novos arranjos políticos. Cada mudança de cadeira no Legislativo municipal significa também uma alteração na correlação de forças partidárias, com impactos diretos em votações estratégicas, distribuição de comissões e, sobretudo, na disputa pela opinião pública.
Embora a cassação seja definitiva no âmbito legislativo, a Justiça será inevitavelmente chamada a intervir. Fonseca ainda pode recorrer e tentar reverter a decisão. Esse embate, além de prolongar o desgaste, tende a manter a crise política em evidência, impedindo que o episódio seja rapidamente superado. Mais do que um processo individual, a decisão ecoa como um recado para todos os vereadores: os limites éticos e administrativos não podem ser ignorados sem consequências. Em tempos de forte descrença popular nas instituições, o gesto da Câmara busca, ainda que tardiamente, reafirmar seu compromisso com a legalidade e a moralidade pública. Em resumo, a cassação de “Negão do Isaú” não encerra um ciclo, mas inaugura um novo capítulo na política de Ji-Paraná. A depender dos próximos passos – tanto jurídicos quanto eleitorais –, esse episódio poderá ser lembrado como um divisor de águas entre a política marcada por conveniências pessoais e uma nova fase de responsabilidade institucional. Assista a entrevista completa: Da Redação O Minuto Notícia – Informação é Poder!