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Ato sob chuva em Brasília indica reorganização da direita política

Manifestação reuniu apoiadores em Brasília e sinalizou novo momento de articulação política no campo conservador.

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Ato sob chuva em Brasília indica reorganização da direita política

Brasília (DF) — A primeira grande manifestação do campo conservador em 2026 terminou neste domingo sob chuva intensa, mas longe de ser interpretada como fracasso por seus organizadores e apoiadores. Pelo contrário: no discurso da direita, o ato liderado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) simbolizou um ponto de virada político, recolocando a mobilização de rua no centro do debate nacional e desmontando a narrativa de que a direita estaria fragmentada, desmobilizada ou sem capacidade de reação.

A manifestação foi encerrada na Praça do Cruzeiro, após uma caminhada que reuniu apoiadores em torno de pautas como anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro, críticas ao Supremo Tribunal Federal e defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. As condições climáticas adversas reduziram o público esperado e provocaram incidentes, incluindo atendimentos médicos após a queda de um raio nas proximidades do local. Ainda assim, a avaliação predominante entre lideranças conservadoras foi de que o evento cumpriu seu principal objetivo político: recolocar a direita organizada nas ruas.

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Nos bastidores de Brasília, a leitura foi clara. Até poucas semanas atrás, setores da esquerda já tratavam o cenário eleitoral como favorável a uma eventual reeleição do presidente Lula, sustentados na ideia de que a oposição estaria dividida, sem liderança unificadora e incapaz de mobilizar grandes massas. O ato deste domingo, mesmo sob chuva, quebrou essa percepção. A capacidade de Nikolas Ferreira de convocar, engajar e manter visibilidade nacional passou a ser vista como um fator de instabilidade para esse cálculo confortável.

Durante o discurso de encerramento, Nikolas adotou tom firme contra decisões do Judiciário, criticou o que chamou de excessos institucionais e reforçou que a mobilização não se encerraria ali. O parlamentar pediu que os manifestantes deixassem o local de forma ordeira e evitassem deslocamentos para a Esplanada dos Ministérios, sinalizando uma estratégia de confronto político sustentado, mas controlado.

Para a direita, o ato não deve ser analisado apenas pelo número final de presentes, mas pelo simbolismo do reinício. A leitura é de que manifestações com as cores verde e amarelo voltarão a ser frequentes ao longo do ano, tanto em capitais quanto no interior do país, criando um ambiente de pressão permanente até o ciclo eleitoral de 2026.

O desconforto da esquerda, segundo essa interpretação, não está nos efeitos da chuva nem nos incidentes pontuais, mas no fato de que a narrativa de "fim de jogo" perdeu sustentação. A manifestação expôs que há liderança, base mobilizada e disposição para ocupar o espaço público. O que parecia um cenário de vantagem consolidada passa, agora, a exigir cautela.

Para o campo conservador, a mensagem deixada em Brasília é direta: a direita não saiu do jogo — e, ao contrário do que muitos apostavam, voltou a se movimentar antes do previsto.

Por Daniel Paixão