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Auditor deixa cargo por possível uso irregular de informações

Órgão abriu apuração para esclarecer o acesso às informações e avaliar possíveis responsabilidades administrativas.

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Auditor deixa cargo por possível uso irregular de informações
Receita afastou funcionário acusado de acessar dados de parente de ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. (Foto: Felipe Sampaio / STF)

A Receita Federal afastou do cargo de chefia o auditor fiscal investigado por suspeita de acessar dados sigilosos de uma ex-enteada do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. A decisão foi publicada nesta quinta-feira (19) no Diário Oficial da União (DOU).

Ele era chefe substituto da Equipe de Gestão de Crédito Tributário e do Direito Creditório, na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Presidente Prudente (SP). O texto da portaria não citou o motivo da dispensa.

O auditor foi um dos alvos da operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de vazamentos de dados sigilosos de integrantes da Corte e de seus familiares.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão e impôs medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e o afastamento de funções públicas para um servidor da Receita e outros três do Serpro.

Motivo “fútil”

O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kléber Cabral, revelou que o auditor fiscal do interior de São Paulo admitiu ter acessado dados de uma parente do ministro Gilmar Mendes em novembro do ano passado, mas alegou uma motivação “fútil”

Segundo Cabral, esse acesso teria ocorrido por “curiosidade” sobre um sobrenome comum, e não com o objetivo de vazamento. Em entrevista ao portal Metrópoles, o presidente do Unafisco reforçou que o acesso indevido foi um “falso positivo”.

"Foi um falso positivo. Ele acessou, não devia ter acessado, mas foi olhar se uma pessoa conhecida era ex-esposa de um amigo, porque tinham o mesmo sobrenome, tanto que ele foi olhar em 2008, porque foi o período que o casal estava junto. Se fosse pelo vazamento, ele não iria olhar em 2008, se é um caso de 2026”, afirmou.

Em nota, a defesa destacou a “reputação ilibada” do servidor. “Desde já, a defesa reafirma a idoneidade do servidor, profissional de reputação ilibada, que ao longo de anos de atuação junto à Receita Federal do Brasil, jamais respondeu a qualquer falta funcional. No momento oportuno, com acesso aos elementos formais, os fatos serão devidamente esclarecidos e a verdade prevalecerá”, diz o comunicado.

Por Camila Abrão

Por Hermano Freitas