MENU

Azeite em embalagem squeeze ganha espaço entre pequenas e grandes empresas

Proposta é aproximar cozinha do dia a dia ao modo de preparo de restaurantes

Compartilhar:
1780769708_164b66804d48e05ad955.jpg
Azeites envasados em bisnagas de plástico viram tendência entre marcas novatas e consolidadas — Foto: 1) Divulgação/Zétona - 2) Divulgação/Benza

Quando vemos um azeite envasado em uma garrafa de plástico, logo vem à mente aquele óleo composto à base de soja e azeite de oliva. Mas essa percepção pode mudar em breve com cada vez mais marcas embalando seus azeites em squeezes (bisnagas de plástico). E a proposta é direta e clara: fazer com que cozinheiros caseiros sintam-se chefs de restaurante.

A Zétona, marca brasileira de azeites criada há um ano, surgiu com a ideia de levar para as casas a experiência de uma cozinha profissional. “Para o manuseio, a bisnaga é muito melhor do que uma garrafa de vidro com dosador sem padrão”, resume Lucas Barbosa, CEO da empresa que trabalha com dois produtos: um azeite para finalizar e outro para cozinhar.

Para entrar no mercado brasileiro que é dominado por marcas tradicionais, os idealizadores da Zétona foi até Tarragona, na Espanha, região tradicional no cultivo de azeitonas, onde a propriedade ‘Olival do Barão’ produz o fruto da oliveira desde 1820.

Barbosa afirma que esbarrou na falta de escala para utilizar a produção brasileira de azeitonas, porque o Brasil produz cerca de 1% do azeite que consome. A safra brasileira de azeite de oliva deve alcançar a marca histórica de 1 milhão de litros em 2026, segundo o Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), o que significa um crescimento de mais de 300% em relação ao volume de 2025.

Segundo o executivo, além de fornecedores, a família responsável pelo olival, na Espanha, se tornou sócia da marca. “Essa parceria nos garante total controle de qualidade”.

1780769669_6408588e91118f743124.jpg
Lucas Barbosa (de casaco escuro), da Zétona, com a família fornecedora das azeitonas, em Tarragona, na Espanha — Foto: Divulgação

A azeitóloga da Zétona, Ana Beloto, afirma que os azeites produzidos em Tarragona são frutados, levemente picantes e com amargor moderado. “Um perfil que agrada muito ao paladar brasileiro”, diz a especialista.

Segundo ela, o vidro escuro, tradicional no engarrafamento de azeites, é a referência em preservação do líquido, mas as bisnagas (também opacas) se aproximam do padrão ideal de conservação do produto.

Em dezembro de 2025, as três mil primeiras unidades do azeite no squeeze chegaram a São Paulo e foram vendidas pela Trela, aplicativo de entregas de supermercado.

O segundo contêiner, com 45 mil unidades, chegou em março de 2026 e foram distribuídas em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife. Barbosa almeja chegar em pontos de venda em Belo Horizonte e no Distrito Federal até julho.

Segundo ele, de março até maio, a empresa superou R$ 500 mil em faturamento. A projeção para os negócios da empresa é deter 1% da fatia de mercado da categoria de azeites no Brasil em três anos, o que representa um faturamento próximo a R$ 70 milhões.

Azeitonas “caseiras”

A Benza, outra marca nacional, segue o mesmo caminho, mas com uma diferença: suas azeitonas vêm de Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul.

A marca possui um azeite para finalização, feito com azeitonas brasileiras e envasado na fazenda do próprio fornecedor, e outro para cozinhar, que é importado em tonéis e envasado também na propriedade do mesmo olivicultor.

“Nosso azeite brasileiro de finalização é exclusivo, sentamos com os azeitólogos da fazenda e desenvolvemos um perfil sensorial que refletisse exatamente o que buscávamos”, afirma Carolina Cury, fundadora da Benza.

1780769620_4db2b7cc1be6ad0333b6.jpg
Carolina Cury, fundadora da Benza, na fazenda fornecedora de azeitonas em Cachoeira do Sul (RS) — Foto: Divulgação

Carolina destaca que envasar o produto perto da comercialização é o diferencial da marca. “O azeite mais fresco que você pode consumir é justamente aquele produzido no próprio país”.

A proposta da embalagem em squeeze é aproximar o produto do uso cotidiano. “A ideia é que a pessoa aperte sem dó de usar, e deixe o azeite à mão na bancada da cozinha”, resume a fundadora. A marca iniciou as vendas em outubro de 2025 e já registrou vendas no Distrito Federal e em todos os Estados do Brasil, exceto o Amapá.

Grandes marcas também apostam no formato

A marca de azeites Gallo anunciou em maio o lançamento da sua versão do produto em squeeze, durante a APAS Show 2026, feira do setor de supermercados. Segundo a empresa, a novidade é inspirada na rotina dos chefs da alta gastronomia. "O objetivo é trazer essa versatilidade e praticidade para os lares brasileiros", diz a companhia em nota.

1780769574_8c83e40a7d744c7a7069.jpg
Linha do azeite Gallo em squeeze foi lançada em maio de 2026 — Foto: Divulgação

Já a marca Andorinha, pertencente ao Grupo Sovena, anunciou o lançamento do seu azeite em squeeze para o segundo semestre de 2026. O produto teve um pré-lançamento na APAS Show.

Segundo a companhia, o lançamento acompanha uma tendência global de levar a agilidade das cozinhas profissionais para o uso doméstico. “O foco é oferecer praticidade e adaptar o consumo do azeite para finalizar pratos com rapidez”, diz a empresa em nota.

1780769537_2155e26410bc2785adf4.jpg
A marca Andorinha fez um pré-lançamento do seu azeite em bisnaga durante a APAS Show, em maio, em São Paulo — Foto: Divulgação

Por Marcos Fantin — São Paulo


Junte-se ao Nosso Grupo! Receba notícias em primeira mão

Faça parte do nosso grupo WhatsApp.

Entrar Agora →