
Sentir azia depois de exagerar em uma refeição pode acontecer de forma pontual e é até comum. Porém, quando a queimação passa a fazer parte da rotina, pode indicar problemas de saúde. A azia frequente, também chamada de pirose, não é considerada normal e pode indicar doenças que vão desde refluxo gastroesofágico até alterações mais graves no esôfago.
A gastroenterologista Cláudia Machado, do Hospital da Bahia, explica que a persistência do sintoma merece atenção médica. “Ter azia diariamente não é normal. Ela reflete um defeito na barreira que impede o refluxo do conteúdo ácido do estômago para o esôfago e, quando persistente, deve sempre ser investigada”, afirma.
Azia pode indicar refluxo e outras doenças
A principal causa da azia frequente é a doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), condição em que o ácido do estômago retorna para o esôfago e provoca irritação na região. Além da queimação, o refluxo também pode causar gosto amargo na boca, regurgitação, tosse seca persistente e dor no peito.
Segundo Cláudia, a azia é apenas um sintoma e não necessariamente o diagnóstico final. “A pessoa pode ter queimação causada por condições como a doença do refluxo gastroesofágico, alterações motoras do esôfago ou processos inflamatórios”, explica.
A especialista também destaca que alguns sinais exigem investigação mais criteriosa, como perda de peso sem explicação, anemia, sangramentos, dificuldade para engolir e histórico familiar de câncer de esôfago.
Antiácido pode mascarar problemas graves
O alívio rápido proporcionado pelos antiácidos costuma fazer muitas pessoas ignorarem a origem do problema. O risco é deixar uma inflamação persistente evoluir silenciosamente.
“O uso recorrente do antiácido neutraliza o ácido e gera alívio temporário, mas pode fazer o paciente não valorizar o problema da forma que deveria”, afirma a gastroenterologista.
Com o passar do tempo, o refluxo sem tratamento adequado pode provocar complicações importantes, como estreitamento do esôfago, lesões na mucosa e aumento do risco de câncer.
A nutricionista Lívia Maria Prudente de Almeida, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo, reforça que o medicamento não resolve a causa da azia. “Os antiácidos neutralizam a acidez, mas não tratam o motivo do problema. Quanto antes a pessoa investigar o que está causando os sintomas, melhor”, destaca.
A especialista afirma que, se os sintomas são frequentes, o paciente sente dor para engolir e queimação, principalmente ao deitar, é importante procurar um médico para investigar o quadro.
Mudanças na rotina ajudam a controlar a azia
Embora alguns pacientes precisem de medicamentos e exames como endoscopia, mudanças nos hábitos alimentares e no estilo de vida continuam sendo parte essencial do tratamento.
Entre as principais orientações estão evitar refeições volumosas, não deitar logo após comer, reduzir álcool, cigarro e excesso de cafeína, além de controlar o peso corporal.
“A obesidade aumenta muito a chance de refluxo por causa do acúmulo de gordura na região abdominal, que pressiona o estômago”, explica a nutricionista.
A gastroenterologista acrescenta que não existe mais uma dieta restritiva universal para todos os pacientes. A recomendação atual é identificar os alimentos que funcionam como gatilho individual para os sintomas e adaptar a alimentação de forma sustentável no longo prazo.
Por Bianca Queiroz