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Baixa na produção de trigo eleva preocupação com preço do pão francês

Safra nacional deve ter queda de 19% em relação ao ciclo anterior, segundo a Conab

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Colheita foi estimada em 6,3 milhões de toneladas pela Conab — Foto: Fernando Dias/Seapi

A produção de trigo no Brasil na safra deste ano foi estimada em 6,3 milhões de toneladas pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em levantamento divulgado nesta quinta-feira (14/5), uma queda de 19% em relação ao ciclo anterior, que reflete a redução de 12,5% da projeção de área plantada.

Entre os fatores que explicam esse movimento, segundo o economista da FGV Agro Felippe Serigati, estão as incertezas climáticas e o aumento dos custos de produção, especialmente com fertilizantes. A safra de inverno, que inclui o trigo, é mais exposta a esse tipo de pressão.

“A safra de inverno é mais sensível a esse choque de custos, especialmente de fertilizantes. Dependendo da disponibilidade ou da qualidade dos insumos utilizados, isso pode levar tanto a uma redução de área quanto a uma nova revisão para baixo da produtividade”, diz.

Apesar da expectativa de menor produção, o impacto sobre o abastecimento interno, de acordo com o presidente da Abitrigo, Rubens Barbosa, deve ser limitado, já que o Brasil pode recorrer ao mercado externo para suprir a demanda.

“O Brasil não tem problema de abastecimento. Se houver redução da produção, a gente importa. Há oferta de trigo no mercado internacional, então isso não é uma preocupação”, afirma Barbosa.

Segundo ele, o principal ponto de atenção para a indústria está no custo de importação, que vem sendo pressionado por uma série de fatores. “O que preocupa é o custo. Houve taxação sobre o trigo importado, além da alta do petróleo, do frete e do seguro. Tudo isso pressiona o custo para os moinhos e, consequentemente, para a produção da farinha”.

Barbosa refere-se à Lei Complementar nº 224/2025, que alterou a tributação sobre a cadeia e resultou na retomada da cobrança de PIS e Cofins sobre o trigo importado, elevando o custo da matéria-prima para a indústria.

Além disso, a qualidade do trigo argentino, principal fornecedor do Brasil, também tem afetado a dinâmica de importação. “A qualidade do trigo argentino caiu, e isso obriga o Brasil a buscar produto em outros mercados, como Estados Unidos, Canadá e Rússia, que têm um trigo de melhor qualidade”, afirma.

Nesse cenário, a indústria já se prepara para lidar com o aumento de custos, ainda que tente mitigar repasses ao consumidor final. “Os moinhos estão fazendo uma racionalização de custos para reduzir impactos, mas, à medida que novas compras forem feitas a preços mais altos, isso tende a aparecer no custo da farinha”, diz o presidente da Abritrigo.

A redução da oferta pode impulsionar os preços de derivados como pão e massas, mas, também segundo Serigati, o efeito não depende apenas da safra brasileira. “Não dá para colocar tudo na conta da safra brasileira. Há outros canais de transmissão importantes, como o custo dos combustíveis, que afeta a distribuição, e o mercado internacional, já que o trigo é uma commodity com preço formado lá fora. Esses fatores acabam pressionando os preços antes mesmo da colheita no Brasil”, explica.

O que diz a Conab

A queda na produção é estimada em 18,9%, com um volume de 6,3 milhões de toneladas. A retração é impulsionada principalmente pela queda de 12,5% na área plantada, prevista em 2,1 milhões de hectares. Porém, a produtividade também deve cair (-7,3%).

"Há uma perspectiva de El Niño no segundo semestre, o que deve trazer alguma chuva em períodos não favoráveis à cultura, refletindo na produtividade e no potencial produtivo do trigo", ponderou o gerente de acompanhamento de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos.

A semeadura já avançou em cerca de 17%, sendo que as áreas mais adiantadas estão localizadas na região central do país. Em Goiás, já há lavouras em início de floração.

Por Luiz Eduardo Minervino e Danton Boatini Júnior — São Paulo


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