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Brasil monitora casos após registro de gripe aviária no Chile

No fim de março, governo brasileiro prorrogou o estado de emergência zoossanitária para a doença no país. Na América do Sul, Argentina e Uruguai também registraram focos

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Foco de gripe aviária no Chile ocorreu em uma criação doméstica — Foto: Pexels

A Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) informou, nesta sexta-feira (3/4), a ocorrência de um caso de gripe aviária de alta patogenicidade no Chile. Exames laboratoriais confirmaram a infecção pela variedade H5N1 do vírus Influenza em um plantel de aves de criação doméstica.

O relatório da Organização indica que, de 198 aves, 17 ficaram doentes e 15 morreram. As demais foram sacrificadas. O caso ocorreu na região de Magallanes. A confirmação veio no dia 22 de março e o comunicado para a entidade multilateral de saúda animal é do dia 27 do mês passado.

A OMSA informou que as autoridades já estão adotando medidas de desinfecção e de vigilância na área de abrangência do foco da doença, como desinfecção do local, controle de movimentação de pessoas e animais, quarentena e zoneamento.

O Chile não registrava casos da doença havia dois anos. O foco anterior foi de 3 de março de 2024. Não é o único caso recente de gripe aviária de alta patogenicidade na América do Sul. A Organização Mundial de Saúde Animal monitora também um foco identificado na Argentina, identificado no fim de março. O Uruguai é outro país sul-americano que registrou caso da doença.

No Brasil, o sistema de monitoramento do Ministério da Agricultura registrou 188 casos de gripe aviária desde a primeira detecção, em 15 de maio de 2023. Do total, 173 foram em aves silvestres, 14 em criações domésticas e um em um plantel comercial, o que motivou embargos ao país.

O Ministério informa ainda que quatro investigações estão em andamento, ainda sem resultado conclusivo. No fim de março, a Pasta anunciou a prorrogação do estado de emergência zoossanitária para a gripe aviária no país por 180 dias.

O que é a gripe aviária?

A gripe aviária é uma doença altamente contagiosa, causada por variantes do vírus Influenza. Atualmente, grande parte dos casos de alto potencial transmissível registrados no Brasil e em outras partes do mundo é da cepa H5N1. A doença pode atingir tanto aves silvestres quanto domésticas e planteis de criação, além de mamíferos, como gado. O ser humano também pode contrair, embora os casos sejam mais raros.

Notificada pela primeira vez em 1878, na Itália, a praga aviária, como era conhecida na época, só foi classificada como Influenza A em 1955. O primeiro relato de contágio pela variedade H5N1 foi relatado em 1997, em Hong Kong.

O Brasil registrou os primeiros casos de gripe aviária em 2023, mas apenas em aves silvestres. Até a confirmação do primeiro caso em granjas comerciais em território brasileiro, dados do Ministério da Agricultura apontavam a ocorrência de 166 casos de gripe aviária no território nacional desde 15 de maio de 2023, data do primeiro registro, com 163 ocorrências em aves silvestres e outras três em criações de subsistência.

Qual risco para humanos?

Humanos podem contrair gripe aviária, embora o risco seja considerado baixo. A maioria dos casos registrados ocorre entre pessoas que têm contato frequente e direto com aves infectadas ou com ambientes contaminados.

Quais os sintomas da gripe aviária em aves?

Conforme a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o principal sintoma da doença causada por subtipos de vírus altamente patogênicos, como o H5 e o H7, é a morte súbita. Além deste, os outros sintomas são:

  • Tosse, espirros ou mucosa na parte nasal;
  • Queda na produção de ovos ou alterações nas cascas dos ovos;
  • Hemorragias nas pernas e, às vezes, nos músculos;
  • Edema nas juntas das pernas;
  • Inchaço da crista e barbela, com cor roxa-azulada ou vermelho escuro;
  • Falta de coordenação motora;
  • Diarreia e desidratação.

Como se transmite a gripe aviária?

Os principais vetores da gripe aviária são aves migratórias. Pássaros silvestres aquáticos, como patos, marrecos, gansos e cisnes, são hospedeiros naturais do vírus. O meio de transmissão mais comum para aves domésticas é o contato com animais infectados ou secreções, como fezes e fluidos corporais.

Água e objetos contaminados também podem passar a doença. Nos poucos casos de infecção humana de que se tem registro, o contágio se seu pelo contato direto com animais doentes ou com ambientes contaminados.

Como manter a gripe aviária longe das criações?

O principal é evitar o contato dos plantéis de criação com aves silvestres, mas há algumas medidas a serem adotadas nas granjas.

  • Planteis que integram um sistema de produção em que ficam soltos devem passar a ser confinados;
  • o galpão destinado ao criatório deve ser telado, com revisão constante das condições das telas;
  • monitorar o comportamento das aves de criação. Qualquer ocorrência ou morte sem explicação aparente deve ser notificada;
  • a circulação de pessoas na área das granjas deve ser evitada ao máximo. Mesmo o acesso de técnicos e extensionistas deve ser feito apenas quando estritamente necessário;
  • manter limpos comedouros e bebedouros nas áreas dos criatórios.

Identificada a gripe aviária, que medidas são adotadas?

A Organização Internacional de Saúde Animal (OMSA) recomenda adotar medidas como isolamento e vigilância da região afetada, abate sanitário, desinfecção e monitoramento de outras localidades suscetíveis em uma área demarcada pelas autoridades.

Por Raphael Salomão — São Paulo


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