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Brasil registra maior volume de exportação de tabaco da história

Conflito no Irã está direcionando embarques ao Oriente Médio para rotas alternativas.

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Brasil registra maior volume de exportação de tabaco da história
'Vendemos mais, porém a um valor médio menora', destaca Valmor Thesing, presidente do SindiTabaco — Foto: Sinditabaco/Divulgação

O Brasil, maior exportador mundial de tabaco desde 1993, registrou um recorde no ano passado no segmento. A receita somou US$ 3,389 bilhões, 13,85% acima do ano anterior, e o volume embarcado aumentou 23%, somando 561.052 toneladas, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O recorde anterior tinha sido estabelecido em 2012, quando as exportações geraram US$ 3,272 bilhões.

“Os números mostram um crescimento muito consistente das exportações em 2025, impulsionado principalmente pelo aumento expressivo de volume. Por outro lado, o preço médio por tonelada apresentou redução em relação a 2024, o que explica o fato de a receita ter crescido em ritmo inferior ao volume embarcado. Vendemos mais, porém a um valor médio menor”, disse em nota o presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing.

Em 2024, o valor médio foi de aproximadamente US$ 6.540 por tonelada, enquanto em 2025 ficou em torno de US$ 6.040 por tonelada, uma queda de 7,6%.

Nos últimos cinco anos, a média anual de embarques tem ficado em torno de 515 mil toneladas e cerca de US$ 2,6 bilhões em receita. Segundo Thesing, essa estabilidade está diretamente ligada ao Sistema Integrado de Produção de Tabaco, que rege os contratos entre indústria e produtores, definindo volumes, tipo de tabaco a ser produzido e orientações técnicas de manejo.

A Europa se manteve em 2025 como maior comprador do tabaco brasileiro, com 41% do valor, seguido pelo Extremo Oriente (36%), África/Oriente Médio (8%), América do Norte (6%), América Latina (6%) e Leste Europeu (3%).

Por países, a liderança é da Bélgica (US$ 733,4 milhões), seguida por China (US$ 576,5 milhões) e Indonésia (US$ 280,4 milhões). Os Estados Unidos ficaram em 4º lugar, com US$ 195,3 milhões.

Segundo o Sinditabaco, historicamente, o mercado norte-americano representa em torno de 9% dos embarques, mas devido ao tarifaço imposto por Donald Trump, as exportações para o país caíram 23,4% em comparação com 2024, quando foram exportados US$ 255 milhões.

A região Sul se mantém como a maior produtora do tabaco nacional, com 96% do volume. Os embarques nos portos do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná somaram 555.222 toneladas, volume 24,34% superior ao do ano anterior.

Guerra no Oriente Médio

Segundo Thesing, com o recente conflito do Irã contra Estados Unidos e Israel, os embarques de tabaco para o Oriente Médio estão sendo direcionados para rotas alternativas, principalmente pelo Cabo da Boa Esperança, no extremo sudoeste da África do Sul, o que resulta em um aumento de cerca de 20 dias no tempo de trânsito até os destinos.

“Com isso, os principais impactos são atrasos no atendimento aos clientes e aumento dos custos dos serviços dos armadores, que têm implementado, em alguns casos, o War Risk Surcharge, uma sobretaxa ao frete que se aplica quando a rota do navio passa por uma zona de conflito bélico ou com alto risco de que o mesmo aconteça. Além disso, a insegurança na região de guerra impacta a programação dos novos embarques, o que gera aumento de despesas extraordinárias com aluguel de contêineres, armazéns e terminais”.

Em 2025, 6% das exportações de tabaco brasileiro foram destinadas ao Oriente Médio, com destaque para os Emirados Árabes Unidos, cujos embarques somaram US$ 139.351.657,00 (4,13% do total), com 25.446.781 toneladas.

Por Eliane Silva — Ribeirão Preto (SP)


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