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Brasil se aproxima de colheita histórica de soja com safra quase finalizada

Levantamento da Conab foi divulgado na manhã desta quinta-feira (14/5)

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Colheita da oleaginosa deve alcançar 180,1 milhões de toneladas — Foto: Divulgação

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima a sua projeção para a produção de grãos na atual safra. O volume total é calculado em 358 milhões de toneladas, 1,6% acima do registrado no ciclo anterior. No levantamento de abril, a safra estava estimada em 356,3 milhões de toneladas. Caso confirmada, a produção será um recorde.

Os números são impulsionados pela colheita da soja, que deve alcançar 180,1 milhões de toneladas, maior produção da série histórica. O volume representa um acréscimo de 0,5% em relação ao levantamento anterior. Na comparação com a safra passada, o acréscimo é calculado em 5%. Segundo a Conab, 98,3% da área já foi colhida.

Segundo o presidente da Conab, Sílvio Porto, houve ajustes em relação à área de soja, principalmente no Paraná, a partir de um trabalho de georreferenciamento em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Temos qualificado bastante o levantamento de safras a partir deste trabalho, principalmente em relação à área, mas também olhando a produtividade", observou.

O gerente de acompanhamento de safras da Conab, Fabiano Vasconcellos, ressaltou que no mês de abril as chuvas ficaram concentradas na região Norte, parte do Nordeste e Mato Grosso e no Rio Grande do Sul. Nas outras áreas, os volumes foram mais reduzidos, o que é considerado típico para o período.

Soja

A colheita praticamente encerrada reforça a estimativa de um volume recorde para esta safra. Vasconcellos ressalta que esse desempenho se deu apesar do atraso na implantação da cultura, principalmente em outubro, devido à irregularidade nas precipitações. A regularização das chuvas a partir de dezembro ajudou na recuperação das lavouras.

A área plantada registrou crescimento de 2,9%, totalizando 48,7 milhões de hectares. A produtividade, por sua vez, aumentou 2,1%.

Entre os Estados, o destaque foi a Bahia, com a maior produtividade nesta safra. No Rio Grande do Sul, ainda há lavouras sendo colhidas.

Milho

Para o total das três safras de milho, a Conab estima que seja colhida a segunda maior produção da série histórica, com um total de 140,2 milhões de toneladas. Houve um ganho de 0,4% em relação ao último levantamento.

O plantio da segunda safra foi finalizado no começo de abril, e a maior parte das lavouras apresentou boas condições de desenvolvimento no início, mas a redução das precipitações afetou o potencial produtivo em alguns Estados, principalmente em Minas Gerais e Goiás.

"Apesar dos últimos eventos climáticos desfavoráveis à culturas, em todos os Estados as produtividades estimadas seguem próximas ao obtido na última safra. O que fica agora é essa perspectiva para o clima nesse próximo mês que vai ser decisivo para a confirmação dessas produtividades", afirmou Vasconcellos.

De acordo com o gerente de acompanhamento de safras, a produção de milho tem crescido no país devido ao aproveitamento de áreas na segunda safra e ao crescimento da demanda interna, impulsionada pelo etanol de milho.

Arroz

No caso do arroz, a projeção indica queda de 0,3% na produção, com 11,1 milhões de toneladas - número praticamente estável em relação ao levantamento de abril.

A colheita está praticamente concluída, e o andamento do restante dos trabalhos irá depender da maturação do grão. "A produtividade até se elevou um pouco nesse último levantamento, muito em função desse avançar da colheita refletindo um pouco das condições climáticas que foram boas para a cultura", observou Vasconcellos.

Ao longo da série histórica, a produção de arroz vem mantendo uma produção muito ajustada ao consumo, reflexo das condições de mercado.

Feijão

Já a produção de feijão tende a cair 5,2%, segundo o órgão, que calcula um total de 2,9 milhões de toneladas somadas as três safras. De acordo com a Conab, 95,4% da área já foi colhida.

As produtividades calculadas são superiores à safra passada. Vasconcellos acredita que, caso a semeadura tivesse ocorrido em uma época mais favorável, a produção teria sido melhor.

A redução de área no feijão de primeira safra é vista como um movimento natural, de modo a não coincidir com a colheita em períodos chuvosos.

Algodão

A produção esperada de algodão deve chegar a aproximadamente 4 milhões de toneladas de pluma, queda de 2,6% em relação ao volume da safra anterior.

O recuo da produção está associado principalmente à redução da área cultivada, com destaque para Mato Grosso, além da queda de produtividade observada em Mato Grosso do Sul, Bahia e Piauí, segundo a Conab.

O órgão afirma que, embora haja ganhos de rendimento em unidades como Pará, Ceará, Paraíba, Minas Gerais e Paraná, esses avanços não são suficientes para compensar as reduções nos principais polos produtores, resultando na retração da produção nacional.

Trigo

A queda na produção é estimada em 18,9%, com um volume de 6,3 milhões de toneladas. A retração é impulsionada principalmente pela queda de 12,5% na área plantada, prevista em 2,1 milhões de hectares. Porém, a produtividade também deve cair (-7,3%).

"Há uma perspectiva de El Niño no segundo semestre, o que deve trazer alguma chuva em períodos não favoráveis à cultura, refletindo na produtividade e no potencial produtivo do trigo", ponderou Vasconcellos.

A semeadura já avançou em cerca de 17%, sendo que as áreas mais adiantadas estão localizadas na região central do país. Em Goiás, já há lavouras em início de floração.

Por Danton Boatini Júnior — São Paulo


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