
A comercialização do cacau nos municípios da Zona da Mata de Rondônia, incluindo regiões produtoras próximas a Cacoal e no vale do Jamari, em Jaru (RO), não dispõe de uma cotação oficial diária e unificada nos principais boletins públicos de commodities. Na prática, produtores precisam acompanhar referências do mercado nacional e, principalmente, as condições apresentadas pelos compradores que atuam na região.
Em agosto de 2026, valores de referência do mercado brasileiro ajudam a dimensionar o cenário enfrentado pelos produtores rondonienses. No Pará, por exemplo, o cacau convencional apresenta referência de aproximadamente R$ 15,26 por quilo, enquanto o produto certificado ou destinado à indústria alcança cerca de R$ 19,12 por quilo.
Na Bahia, outro importante estado produtor de cacau do Brasil, a referência para o produto convencional aparece em torno de R$ 348,97 por arroba de 15 quilos.
Preço em Rondônia pode ser diferente
Os números nacionais, entretanto, não significam que o produtor de Cacoal, Jaru ou de outros municípios rondonienses receberá necessariamente esses mesmos valores.
A formação do preço local envolve uma série de fatores. Entre eles estão a distância até os compradores e centros consumidores, custos de transporte, quantidade negociada e características específicas das amêndoas.
A qualidade do cacau também exerce influência direta sobre o preço. Teor de umidade, processo de fermentação, secagem, classificação das amêndoas e padrão exigido pelo comprador podem resultar em valorização ou desconto no momento da negociação.
Por isso, dois produtores de uma mesma região podem conseguir preços diferentes dependendo da qualidade apresentada, do volume disponível e das condições comerciais acertadas com o comprador.
Outro ponto importante é que os preços das commodities agrícolas podem sofrer alterações conforme oferta e demanda, comportamento do mercado internacional, produção das principais regiões produtoras e condições da indústria.
Para quem produz cacau na Zona da Mata rondoniense, os valores registrados em estados como Pará e Bahia devem ser utilizados principalmente como parâmetros de mercado, e não como garantia do preço que será pago localmente.
Antes de fechar uma negociação, a recomendação é consultar compradores da região, associações e cooperativas de produtores, além de buscar informações junto aos órgãos ligados à assistência técnica e ao setor agrícola, como a Emater-RO.
A comparação entre diferentes propostas pode ser especialmente importante para que o agricultor tenha uma visão mais clara do valor de sua produção e das condições praticadas naquele momento.
Com a expansão e profissionalização da cacauicultura na Amazônia, acompanhar preços, investir na qualidade das amêndoas e buscar canais de comercialização mais competitivos tornam-se estratégias cada vez mais importantes para agregar valor à produção rural de Rondônia.
Nelson Salles da Redação
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