
Dezenas de profissionais da saúde e entidades de Cacoal (RO), estiveram reunidos na manhã desta quinta-feira, 17 de setembro, na Câmara Municipal, para um grande debate sobre a prevenção ao suicídio. O objetivo do encontro foi criar novos mecanismos para diminuir os índices na capital do café, em um esforço coletivo que envolve serviços que atuam em rede pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre as entidades presentes estava o Serviço de Atendimento Especializado (SAE), que acompanha pacientes com doenças crônicas, como hanseníase e HIV. Segundo a equipe do serviço, essas condições podem deixar o paciente mais fragilizado em relação à saúde mental, o que exige atenção permanente.
"São doenças crônicas que deixam o paciente mais fragilizado com relação à saúde mental. Por isso, a gente também faz essa vigilância dentro do nosso serviço, com acompanhamento, escuta qualificada e também com psicoterapia", destacou o representante do SAE durante o encontro.
O trabalho do serviço também está alinhado à vigilância das violências, especialmente no acompanhamento de pessoas em situação de fragilidade mental. A lógica do SUS em rede foi outro ponto central do debate: compreender o papel de cada serviço e saber para onde encaminhar cada paciente faz toda a diferença no cuidado.
"O SUS funciona em rede. A partir do momento em que eu compreendo como funciona a rede de saúde mental, qual é o papel do meu serviço dentro dessa rede e como ele pode ajudar os pacientes, isso é extremamente importante", completou.
Dados oficiais reforçam a importância do debate

Os números nacionais ajudam a dimensionar a urgência do tema. Segundo o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 15.507 óbitos por suicídio em 2021, ano em que o tema foi a 27ª maior causa de morte no país — 77,8% deles entre homens.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, para cada morte por suicídio, há cerca de 20 tentativas, o que indica que o número real de pessoas que tentam contra a própria vida no Brasil é muito superior ao dos óbitos registrados.
A tendência também preocupa: entre 2010 e 2019, foram 112.230 mortes por suicídio no país, com crescimento de 43% no número anual de óbitos, segundo dados do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Ministério da Saúde.
Onde buscar ajuda
Quem precisa de apoio emocional pode contar com canais gratuitos e sigilosos, disponíveis em todo o país:
- CVV – Centro de Valorização da Vida: ligação gratuita pelo 188, 24 horas por dia, todos os dias, além de chat e e-mail pelo site cvv.org.br
- SAMU: 192
- CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) e Unidades Básicas de Saúde
- UPA 24h, pronto-socorro e hospitais
A campanha Setembro Amarelo, realizada ao longo deste mês, reforça a mensagem: falar sobre o assunto salva vidas, e buscar ajuda é o primeiro passo.
Nelson Salles da Redação
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