
O setor cafeeiro de Rondônia vive, em 2026, um daqueles raros momentos em que a lavoura responde com generosidade ao esforço do campo.
Após dois anos marcados por incertezas e colheitas abaixo do esperado, o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma safra de aproximadamente 2,7 milhões de sacas de 60 quilos de café beneficiado no estado.
O dado mais expressivo, no entanto, não está apenas no volume, mas na eficiência. A produtividade média estimada em 63,6 sacas por hectare coloca Rondônia no topo do ranking nacional, resultado de um ciclo agrícola favorecido por boas chuvas e pelo uso intensivo de tecnologia no manejo das lavouras.
Produtores relatam um cenário considerado “extraordinário”, com aumento entre 30% e 35% na produção em relação ao ciclo anterior, além de melhora significativa na qualidade dos grãos.
A safra chega com peneiras maiores e padrão superior, reforçando o protagonismo do café robusta amazônico no mercado.
Mas, como costuma ocorrer em ciclos de alta produção, a abundância começa a pressionar os preços. No início de abril, a saca foi cotada a R$ 949,07, registrando queda de 1,7% em relação ao fechamento de março. A tendência, segundo representantes do setor, é de recuo ainda mais acentuado, podendo atingir patamares próximos de R$ 700.
A preocupação não se limita ao preço. A ausência de estrutura adequada para armazenamento em Rondônia surge como um gargalo evidente.
Com a expectativa de grande volume, produtores e lideranças já buscam alternativas junto ao poder público e à iniciativa privada para viabilizar a construção de armazéns capazes de absorver a safra.
No horizonte, outro fator amplia a incerteza: a instabilidade geopolítica. O agravamento do conflito no Oriente Médio, com impactos diretos na logística global e no custo de insumos, pode atingir em cheio o setor. O eventual fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional, já acende alertas sobre aumento no preço de fertilizantes, combustíveis e fretes.
Embora os efeitos ainda não tenham sido plenamente sentidos no mercado do café, a expectativa é de impacto progressivo, especialmente nas exportações e nos custos de produção. Em um cenário global marcado por crises climáticas e tensões internacionais, o equilíbrio entre produtividade e rentabilidade se torna um desafio ainda maior.
Diante desse contexto, o cafeicultor rondoniense é chamado a exercer, além da eficiência técnica dentro da propriedade, uma gestão estratégica fora dela. Produzir mais já não é garantia de lucratividade — e o campo, mais uma vez, precisa dialogar com as incertezas do mundo.
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