
A Câmara Municipal do Recife rejeitou nesta segunda-feira (27) o projeto de decreto legislativo (PDL) 01/2026 que concederia ao ator Wagner Moura o título de cidadão da capital pernambucana.
Apesar de ter recebido o apoio da maioria dos parlamentares presentes, com um placar de 16 votos favoráveis e 7 contrários, a matéria foi arquivada por não atingir o quórum qualificado exigido pelo Regimento Interno.
Para a aprovação de títulos honoríficos, são necessários os votos de 3/5 da Casa, o que equivale a, no mínimo, 23 vereadores. A proposta foi apresentada pelo vereador Carlos Muniz (PSB).
Durante a discussão do PDL, o vereador Eduardo Moura (Novo), questionando quais benefícios reais as ações do ator teriam trazido para Recife e criticou o uso político das honrarias.
"Deveria ter uma mudança no regimento para que certos tipos de ação totalmente políticas não acontecessem. Temos comandas importantíssimas nesta Casa, mas se a gente mesmo não valoriza, quem é que vai valorizar? Peço aos meus pares que votem não a esse projeto", disse o vereador do Novo.
Em contrapartida, Muniz defendeu a trajetória de Wagner Moura e sua ligação recente com a cidade. Ele destacou a atuação do artista como protagonista do filme "O Agente Secreto", dirigido pelo recifense Kleber Mendonça Filho e ambientado na capital pernambucana.
Para Muniz, o longa-metragem elevou o nome da cidade na indústria cinematográfica mundial e Wagner Moura teria "imprimido o DNA recifense" em seu personagem.
“Aclamado no mundo inteiro, o filme acumulou premiações em festivais de cinema e alçou o Recife ao topo da indústria cinematográfica mundial. Por sua vez, Wagner Moura imprimiu o DNA recifense em seu personagem”, disse o autor da proposta.
Segundo a Câmara Municipal, o título de “Cidadão do Recife” deve ser destinado a pessoas físicas – brasileiras ou estrangeiras, mas radicadas no Brasil – que tenham comprovadamente prestado relevantes serviços ao município ou à sua gente.
O filme concorreu em quatro categorias no Oscar deste ano: melhor filme, melhor filme internacional, melhor seleção de elenco e melhor ator, mas saiu sem estatuetas da premiação.
Entre os prêmios recebidos na temporada, “O Agente Secreto” levou dois Globos de Ouro: de melhor ator de filme de drama e de melhor filme em língua não-inglesa. Após a cerimônia, Mendonça e Moura criticaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Há cerca de dez anos, o Brasil sofreu uma guinada bem drástica à direita e esses tempos se foram, com o ex-presidente Jair Bolsonaro agora preso”, disse o diretor. O ator chamou o ex-mandatário de “fascista” e disse que o filme é a “manifestação física dos ecos da ditadura” no Brasil.
Por Camila Abrão