Além de perfumar e encher de sabor diversas preparações, há tempos a canela tem sido investigada por seus efeitos no equilíbrio dos níveis de glicose na circulação e redução do risco de diabetes tipo 2. Um estudo recente não só reforça esse papel, mas também destaca a atuação da especiaria no controle das taxas de colesterol e de triglicérides, reafirmando seu potencial na proteção cardiovascular.
Na pesquisa, publicada em novembro no periódico Frontiers Nutrition, estudiosos chineses esmiuçaram dezenas de artigos, incluindo estudos clínicos com portadores de diabetes tipo 2 e de males como a síndrome metabólica. Esse distúrbio é caracterizado por taxas elevadas de glicose, alterações nos níveis de colesterol e triglicérides, além de hipertensão arterial e acúmulo de gordura na região abdominal.
Entre as possíveis explicações para esses benefícios estão compostos como os polifenóis. “As substâncias encontradas na canela contribuem para a ativação de um transportador conhecido como GLUT-4, que favorece a captação de glicose pelas células”, explica a nutricionista e fitoterapeuta Vanderlí Marchiori, conselheira da Associação Brasileira de Fitoterapia (ABFIT). Há ainda pesquisas mostrando que a especiaria retarda o esvaziamento gástrico, freando picos glicêmicos.
Quanto à atuação no colesterol, há indícios de que a canela interfira com a absorção dessas moléculas gordurosas no intestino, diminuindo os níveis na circulação sanguínea. A investigação também sinaliza efeitos antiobesidade, mas eles são muito modestos, embora existam pesquisas mostrando ação em prol de maior saciedade.
“Trata-se de uma revisão ‘guarda-chuva’, que reúne e analisa resultados de várias revisões e estudos clínicos, em um compilado de evidências científicas”, comenta a nutricionista Priscila Santana Amad, do Einstein Hospital Israelita.
Isso não significa, porém, que a canela faz milagre. Os próprios autores do artigo apontam algumas limitações da revisão, como a heterogeneidade dos pacientes envolvidos nos estudos, o que pode impactar nos achados. Portanto, mais investigações são necessárias.
Canela no prato
Junto de outras especiarias, a canela é um dos principais motivos que impulsionaram as Grandes Navegações, nos séculos 15 e 16. Extraída de árvores do gênero Cinnamomum, provenientes da Ásia, a parte usada vem de uma camada interna dos galhos, chamada floema, que é responsável por conduzir nutrientes e sintetizar óleos protetores e aromáticos.
Entre as “canelas” mais populares, sobressaem a originária do Sri Lanka (Cinnamomun zeylanicum) e a canela-da-china (Cinnamomun cassia), também conhecida como cássia. Sobre as formas de uso, é utilizada tanto na versão em pau (rama) quanto em pó, em pratos doces ou salgados.
Combina com bolos, em preparações de milho como o curau, em mingaus, cremes e salpicada em frutas, especialmente a banana, entre tantas sobremesas. Adicionar uma pitada de canela é uma boa estratégia para ajudar a reduzir a quantidade de açúcar nas receitas. Inclusive, pode ser incluída no cafezinho, no cappuccino e em outras bebidas.
Nos pratos salgados, a especiaria marca presença tanto em mix de temperos, como o curry e a pimenta síria, e incrementa a preparação de carnes, pescados, molhos e arroz. Vale cuidar, no entanto, para não extrapolar. “O exagero pode irritar as mucosas do estômago e da boca”, alerta Amad. “Como tudo na nutrição, o importante é o equilíbrio”.
Há evidências de que altas dosagens de canela são tóxicas ao fígado, sobretudo a canela-da-china. “A sugestão é de até 2 gramas por dia, ou uma colher de café rasa”, ensina Marchiori. “E gestantes não devem usar”, afirma. Na dúvida, consulte seu obstetra ou nutricionista.
Além de consumir em doses moderadas, lembre-se de que nenhum alimento ou tempero é capaz de agir sozinho: todos os benefícios só são possíveis dentro de um contexto saudável, com dieta balanceada, prática regular de atividade física, gerenciamento do estresse e bons hábitos de sono.
Por Agência Einstein