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Churrasco e futebol movimentam setor de carnes na Copa do Mundo

Analistas de mercado, porém, afirmam que o impacto tende a ser limitado

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Programas de carne certificada confiam que evento favorece o consumo — Foto: Rayane Nascimento Gonçalves/Divulgação

A Copa do Mundo de 2026 é aguardada com grande expectativa pelo setor de carne bovina. Isso porque o segmento acredita que o hábito de reunir familiares e amigos para assistir aos jogos deve impulsionar o consumo de cortes de churrasco, em especial dos produtos considerados "premium".

A competição esportiva, que ocorre a cada quatro anos, já é considerada por si só um momento de confraternização, o que favorece o consumo do churrasco. Mas, além disso, em 2026 a Copa será maior do que nos anos anteriores, com duração de 38 dias - já que o número de seleções passou de 32 para 48. As quatro seleções semifinalistas irão disputar ao todo oito partidas, uma a mais em relação às últimas edições do torneio.

Outro fator importante é o horário das partidas. Os três países-sede (Canadá, Estados Unidos e México) têm fusos-horários mais parecidos com o Brasil - diferente da última Copa, que ocorreu no Catar. A estreia do Brasil na Copa, contra Marrocos, está marcada para um sábado (13/6), às 19h - dia e horário propícios à confraternização com amigos e família.

“A Copa do Mundo sempre mexe com o consumo de carne, tanto no mercado interno como na exportação”, afirma Maychel Carvalho Borges, gerente nacional do Programa Carne Angus Certificada. No ano passado, a produção do programa teve alta de 78,7%, somando 53 mil toneladas, dos quais 78,7% ficaram no mercado interno.

Segundo o executivo, embora seja cedo para mensurar o quanto a demanda pode crescer por causa da competição esportiva, o setor está se preparando para atender aos consumidores. “Estamos contando com essa melhora nas compras de carne”, afirma.

A preferência durante o período deve recair sobre cortes como picanha, maminha, fraldinha, contrafilé e filé de costela, segundo Borges. Ele chama a atenção o fato de a competição ter como principal sede os Estados Unidos, segundo maior mercado para a carne bovina brasileira.

"Em anos de Copa do Mundo o consumo de carne sobe bastante. A tendência é que o mercado interno consuma mais carne premium", afirma o gerente do Programa Carne Certificada Hereford, Felipe Azambuja.

Ele pondera, no entanto, que o sucesso das vendas está diretamente atrelado ao desempenho da Seleção Brasileira. Uma eliminação precoce representaria uma queda na mobilização dos torcedores. "A Seleção tem atingido quarta de final, semifinal, mesmo não sendo campeã, e com isso há uma tendência de maior consumo de carne", acredita Azambuja.

O setor de carne suína também acredita ser possível ampliar o consumo durante a competição esportiva. Não por acaso, a 14ª Semana Nacional da Carne Suína será realizada de 1º a 19 de junho, justamente no mês em que se inicia a Copa do Mundo.

"A carne suína é muito versátil, ela entra no churrasco, basta ver os derivados e embutidos, como a linguiça e a própria costelinha", afirma o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Suínos (ABCS), Marcelo Lopes.

A expectativa do segmento é que o consumidor dê atenção a cortes como a copa lombo e a picanha suína, incentivados pela maior competitividade financeira desses itens frente aos cortes bovinos.

Efeito limitado

Para o analista Fernando Iglesias, coordenador de Mercados da Safras & Mercado, a premissa de aumento de consumo durante a Copa não é equivocada, mas o efeito tende a ser concentrado em determinados públicos.

"Como o poder de compra da população é relativamente baixo, para muitas famílias, por mais que haja esse estímulo, talvez não haja condição plena para você fazer um consumo amplo de carne bovina. Os preços já são bastante proibitivos", observa.

Por isso, segundo ele, é difícil fazer projeções sobre qual será o impacto do evento no mercado da carne bovina. Por outro lado, Iglesias vê potencial para alta de 5% a 10% nos preços das carnes Angus no período pré-Copa.

Para Lygia Pimentel, diretora da consultoria Agrifatto, a Copa do Mundo não deve trazer grandes mudanças estruturais ao consumo de carne bovina. O efeito existe, mas é curto e concentrado, na avaliação dela.

“É uma movimentação que ajuda, mas não faz uma mudança dramática no consumo”, avalia. De acordo com ela, o consumo tende a ser maior em grandes jogos, como semifinais e final, o que não chega a provocar grande impacto "na ponta do lápis".

A especialista destaca que, em alguns anos, ao invés da oferta de carne ser menor durante o período da Copa do Mundo, foi até maior. No atacado, a carcaça casada nos anos de Copa também não foge da sazonalidade normal do mercado. "Em maio, a queda mensal é semelhante à média histórica. Em junho, há leve alta, um pouco acima da média. Julho volta a registrar recuo, novamente muito próximo do padrão histórico", destaca.

Por Danton Boatini Júnior e Marcelo Beledeli — São Paulo e Porto Alegre


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