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Clima adverso afeta lavouras de trigo no Sul

Áreas do RS encaram excesso de chuvas, e no PR, geadas

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Clima adverso afeta lavouras de trigo no Sul

O clima adverso está afetando o desenvolvimento da safra de trigo nos dois principais Estados produtores do país: Paraná e Rio Grande do Sul. A situação é mais crítica para os agricultores gaúchos por causa do excesso de chuvas, que atrasa o plantio, mas as geadas também podem afetar a produtividade no Paraná, onde a semeadura está dentro do ritmo de outros anos. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a previsão é de que o Brasil cultive 2,77 milhões de hectares de trigo nesta temporada. A projeção inicial de produção é de 8,47 milhões de toneladas, um aumento de 7,4% em relação à safra anterior. No entanto, com os problemas no Sul, há incertezas se a estimativa será mantida. O desempenho da safra é bastante relevante porque o Brasil é importador do cereal. Rio Grande do Sul No Rio Grande do Sul, até 3 de julho, 50% da área projetada estava plantada, em relação aos 69% da mesma época de 2024 e à média de 80% entre 2020 e 2024, segundo a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-RS).

As chuvas de junho atrasaram a entrada das máquinas, provocaram erosão e encharcamento em algumas áreas e, em locais mais suscetíveis, há necessidade pontual de replantio, conforme a Emater. Em lavouras no oeste do Estado, onde o solo é mais arenoso, os prejuízos foram maiores, com perdas de sementes e nutrientes. O produtor Fauro Rocha, de Santa Bárbara do Sul (RS), é um dos afetados. Ele afirma que “a qualidade [da lavoura] está boa, mas não está melhor pelo excesso de chuva”. “A chuva foi bem forte e intensa e atrasou bastante a entrada dos maquinários na lavoura”. Segundo ele, o plantio deveria ter sido concluído há duas semanas, mas ainda há 20% a serem semeados de uma área de 180 hectares. Rocha conta que, embora sua região seja mais elevada e não tenha enfrentado alagamentos, outras áreas do Estado foram atingidas. “ Itaqui está sofrendo com o alagamento do rio Uruguai. Na fazenda que visitamos, havia uns 300 hectares alagados”, afirma. Daqui para frente, as previsões meteorológicas indicam dias sem chuva. Com isso, “o produtor está intensificando os serviços e tratos culturais” , como a aplicação de adubos e o controle de plantas daninhas, diz Hamilton Jardim, diretor da Comissão do Trigo da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). Segundo ele, ainda não há fatores que comprometam a qualidade do cereal, o que dependerá do florescimento e do enchimento de grãos nas próximas semanas. Paraná No Paraná, 96% da área estimada para o cultivo de trigo já está semeada, percentual alinhado com a média histórica para o período, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Agricultura. Apesar disso, geadas afetaram lavouras mais precoces, especialmente no norte do Estado, onde muitas estavam em floração.

Na última semana, o Deral avaliou em seu boletim que as lavouras em boa qualidade saíram de 99% do total para 84%, enquanto as lavouras com qualidade média saíram de 1% para 9%, e 7% entraram na categoria “ruim”. “As áreas em condição ruim equivalem a mais de 50 mil hectares e deverão produzir bem abaixo do estimado inicialmente quando ocorrer a colheita”, afirmou o Deral. No entanto, os impactos exatos só poderão ser dimensionados na fase de enchimento de grãos, prevista para as próximas semanas. Carlos Godinho, coordenador do Deral, afirma que o Paraná não perdeu lavouras por alagamentos e descarta eventuais replantios. “Teria que ser fora do zoneamento. O produtor neste ano não está querendo correr risco nem dentro das expectativas normais, quanto mais fora do zoneamento”. Por Gabriella Weiss — São Paulo

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