Em meio às tensões políticas que marcam o Brasil recente, colunistas renomados oferecem análises contundentes sobre os rumos da sociedade, a elite e os desdobramentos do bolsonarismo. Tati Bernardi, com tom ácido, afirma que “no fundo, a gente é feita da mesma matéria dos imbecis”, apontando para uma reflexão existencial sobre o comportamento coletivo. Hélio Schwartsman critica a atuação das forças de segurança durante episódios de motim, destacando que “Hugo Motta não atuou com o vigor necessário”. Já Dora Kramer alerta que a “arruaça de amotinados não pode ser vista como superada”, mantendo viva a discussão sobre responsabilidade institucional. Renato Terra, por sua vez, aponta que “Bolsonaro não tem outro projeto senão o golpismo”, enquanto Vinicius Torres Freire faz uma acusação direta às classes dominantes, ao afirmar que a “elite é conivente com agressão de Trump e dos Bolsonaros”. Os textos reforçam a percepção de que a democracia brasileira continua sob pressão e exigem vigilância crítica por parte da sociedade civil e de suas instituições. A conivência perigosa da elite diante das ameaças de Trump e dos Bolsonaro Em tempos de instabilidade internacional e degradação institucional interna, o silêncio da elite econômica brasileira soa como cumplicidade.
Diante das recentes ameaças comerciais de Donald Trump, que já impôs sanções à Índia e ao Canadá, e agora volta seus olhos para o Brasil, é de se estranhar a ausência de uma reação firme dos setores que mais têm a perder.
Trump, no seu retorno à Casa Branca, pressiona países que mantêm relações comerciais com a Rússia, como o Brasil. Caso sejam impostas tarifas proibitivas sobre produtos brasileiros — a exemplo de fertilizantes e diesel russos —, estaremos diante de uma encruzilhada geopolítica: manter a soberania econômica ou ceder à chantagem comercial?
Nesse cenário, o empresariado brasileiro, sobretudo o que exporta para os Estados Unidos, parece hesitar. Mas não é apenas hesitação — é, muitas vezes, aliança oportunista com projetos autoritários. É o que se observa quando nomes do setor produtivo e do campo político liberal continuam tolerando — ou mesmo apoiando — a retórica e a prática dos Bolsonaro, mesmo após os atentados à democracia.
O ministro Fernando Haddad chegou a cobrar publicamente uma postura mais firme da classe empresarial e dos governadores de direita, sugerindo que deixem de "fingir de mortos". Mas, para muitos, é mais confortável manter-se inerte — ainda que à beira do abismo institucional.
É preciso lembrar que os Bolsonaro não recuaram de seus projetos autoritários. Mesmo fora do poder formal, continuam exercendo influência nociva sobre parte da sociedade e das instituições. Seus vínculos com Trump não são apenas ideológicos — são estratégicos. E nesse pacto, que alguns chamam de "antidemocrático", o Brasil é quem mais tem a perder. A elite, em 2022, chegou a se manifestar contra o risco de golpe bolsonarista. Mas em 2025, parte dela age como se o problema estivesse superado — quando, na verdade, ele se tornou ainda mais insidioso. É ingenuidade achar que o autoritarismo respeita fronteiras ou contratos. As experiências da Rússia, da Hungria e até da ditadura militar brasileira deveriam servir de alerta: regimes de exceção, cedo ou tarde, se voltam contra os próprios aliados.
O despreparo brasileiro para enfrentar um mundo mais hostil é evidente. Falta-nos uma política externa robusta, um plano de desenvolvimento sustentável e uma estrutura econômica capaz de resistir a pressões externas. E esse vácuo é agravado por uma elite que, por interesses imediatistas, sabota reformas, fomenta o caos setorial e aposta na ilusão do "bolsonarismo moderado". É hora de parar de fingir que nada está acontecendo. O risco é real, e a história costuma ser implacável com os omissos. Acordem. Da Redação do site O Minuto Notícia – Informação é Poder!