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Concurso Público pode ter sido fraudado em Teixeirópolis, RO

Realizado em 2024, no fim do terceiro mandato do então prefeito Antonio Zotesso, virou sinônimo de vergonha e desrespeito.

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Concurso Público pode ter sido fraudado em Teixeirópolis, RO

Fraude em concurso público no interior de Rondônia expõe falhas grotescas, indícios de manipulação e coloca sob suspeita a lisura da administração municipal. Ministério Público pede anulação integral, responsabilização da banca organizadora e devolução das taxas de inscrição.

O município de Teixeirópolis (RO) entrou para a lista negra dos escândalos administrativos de Rondônia. O concurso público realizado em 2024, no fim do terceiro mandato do então prefeito Antonio Zotesso, virou sinônimo de vergonha e desrespeito à população. Mais de 1.500 candidatos se inscreveram acreditando em uma seleção legítima, mas o que receberam foi uma fraude monumental, marcada por improviso, favorecimentos e erros grotescos.

O certame, que previa apenas 38 vagas (34 para a prefeitura e 4 para a Câmara Municipal), terminou com 1.108 aprovados — um número que por si só já levantava suspeitas de “cartas marcadas”. O novo prefeito eleito, Osmy Toledo, sequer contratou os aprovados e, diante da enxurrada de denúncias, enviou o caso ao Ministério Público. Desde 1º de janeiro de 2025, a Promotoria de Justiça de Ouro Preto do Oeste acumula mais de 70 denúncias de irregularidades.

Como se não bastasse o absurdo, o então presidente da Câmara, vereador Carlos Kleber, foi às redes sociais na véspera do Natal ao lado de Zotesso para anunciar o resultado do certame. Com ar triunfal, vendia a fraude como se fosse um ato de legalidade, um “presente” para os teixeiropolenses. Na prática, entregava apenas mais um escândalo político-administrativo para a história de Rondônia.

O Ministério Público escancarou o que todos já desconfiavam: o concurso foi conduzido pelo Instituto Agepe Ltda., uma banca sem qualquer capacidade técnica, que sequer possui sede estruturada em Cacoal — apenas um endereço de fachada. As provas foram elaboradas dentro da casa do sócio-administrador, com ajuda de familiares.

As falhas relatadas pelos candidatos são de dar vergonha: provas trocadas, questões duplicadas, respostas já marcadas, erros grotescos de digitação, cartões borrados, ausência de correção de recursos e até falta de provas em algumas salas. Uma aberração completa, digna de manual de como não se faz um concurso. Justiça reage A 3ª Promotoria de Justiça ajuizou Ação Civil Pública pedindo a anulação do certame, a devolução das taxas de inscrição e a responsabilização da banca por atos lesivos à administração pública, nos termos da Lei Anticorrupção. A Justiça, em decisão liminar, determinou o bloqueio de bens do Instituto Agepe e a suspensão das nomeações do concurso nº 1/2024–PM/CM/TEIX/RO.

O episódio revela, mais uma vez, como a manipulação de instrumentos públicos — neste caso, um concurso que deveria ser símbolo de mérito e igualdade — pode virar instrumento de frustração coletiva e descrédito institucional. Teixeirópolis, pequeno no mapa, tornou-se gigante na lista dos escândalos rondonienses. Da Redação O Minuto Notícia – Informação é Poder!

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