
A desistência do senador Confúcio Moura (MDB), de disputar a reeleição ao Senado Federal, provocou ampla repercussão no cenário político de Rondônia. Sites, agências de notícias e analistas destacaram a trajetória do congressista, sua experiência administrativa e a dimensão que uma nova candidatura poderia alcançar.
Entretanto, por trás da decisão, existe uma leitura política que vai além das justificativas tradicionais relacionadas à estrutura partidária, ao apoio financeiro ou ao respaldo de familiares e correligionários. Confúcio é um estrategista político de esquerda que deve ser respeitado e, por que não, temido?
Na avaliação da Redação do jornal eletrônico O Minuto Notícia – Informação é Poder!, Confúcio Moura não deixou a corrida eleitoral por falta de apoio ou de condições para organizar uma campanha competitiva. A desistência estaria diretamente ligada ao desgaste acumulado diante de parte expressiva do eleitorado rondoniense e ao risco de enfrentar nas urnas uma rejeição capaz de comprometer o legado construído ao longo de décadas de vida pública.
Confúcio Moura possui uma das trajetórias mais extensas da política de Rondônia. Foi prefeito de Ariquemes, deputado federal, governador do estado por dois mandatos e, posteriormente, senador da República. Trata-se de um currículo político relevante, construído ao longo de diferentes períodos e funções públicas.
Apesar disso, o senador passou a ser responsabilizado politicamente por decisões e posicionamentos que geraram forte reação em vários segmentos da sociedade.
Entre as principais críticas estão sua atuação em temas relacionados às áreas de reserva, às demarcações de terras e às políticas voltadas às populações indígenas, além do apoio a nomeações e medidas que, na visão de seus opositores, trouxeram dificuldades ao desenvolvimento econômico de Rondônia.
Outro ponto que ampliou a insatisfação foi a concessão da BR-364 à iniciativa privada. Desde a terceirização de trechos da rodovia, motoristas, transportadores e moradores passaram a relatar preocupação com a trafegabilidade, a segurança, as obras e a perspectiva de cobrança de pedágio.
Embora a responsabilidade sobre a concessão envolva diferentes órgãos, decisões administrativas e agentes políticos, a proximidade de Confúcio Moura com o governo federal fez com que parte desse desgaste também recaísse sobre sua imagem.
No Senado, Confúcio foi frequentemente apontado por adversários como um parlamentar mais empenhado em defender pautas do Palácio do Planalto do que em confrontar decisões consideradas prejudiciais aos interesses de Rondônia.
Também ganhou força a percepção de que o senador não conseguiu transformar sua posição em Brasília (DF), numa presença política amplamente reconhecida pela população rondoniense. Em vez de ser lembrado principalmente por grandes obras, investimentos ou projetos estruturantes, passou a ser associado, por seus críticos, ao alinhamento com o governo federal e com setores ideológicos que enfrentam elevada rejeição no estado.
Esse cenário teria tornado uma candidatura à reeleição arriscada.
Confúcio Moura poderia contar com partido, estrutura de campanha, aliados e recursos eleitorais. Contudo, nenhum desses fatores seria suficiente sem apoio popular. Eleição não se vence apenas com experiência política, articulação partidária ou presença institucional. Eleição se vence com votos. E votos, ele teria bem menos que noutras eleições.
O que se sabe, é que o senador percebeu que entrar na disputa poderia significar enfrentar o pior resultado eleitoral de sua carreira. Uma derrota expressiva teria potencial para enfraquecer a imagem de um político que governou Rondônia por duas vezes e ocupou alguns dos cargos mais importantes da República.
A decisão de não concorrer, portanto, pode ser compreendida como uma tentativa de preservar parte desse legado.
Há ainda outro elemento relevante no tabuleiro político.
Nos bastidores, cresce a interpretação de que Confúcio Moura acredita na permanência do atual grupo político no comando do governo federal. Essa avaliação estaria baseada, principalmente, na divisão interna da direita, nos conflitos entre lideranças conservadoras e na ausência de unidade em torno de uma candidatura nacional.
Diante dessa possibilidade, Confúcio poderia considerar mais vantajoso aguardar uma eventual oportunidade no Executivo Federal do que enfrentar uma campanha desgastante, cara e politicamente arriscada pelo Senado.
A hipótese de que o parlamentar possa ocupar um ministério ou outra função de destaque em Brasília, entretanto, permanece no campo das articulações e especulações políticas. Até o momento, não há confirmação pública de promessa oficial de cargo.
O fato concreto é que Confúcio Moura está fora da disputa pela reeleição. E há quem diga que ele possa ter sentido alívio.
Sua desistência altera a composição da corrida ao Senado, abre espaço para novos candidatos e muda os cálculos dos partidos em Rondônia. Também encerra, ao menos temporariamente, a possibilidade de o eleitor avaliar diretamente nas urnas a atuação do senador nos últimos anos.
Confúcio Moura não deixa a disputa como um político sem história.
Ao contrário, possui uma trajetória extensa e marcada pela ocupação de cargos relevantes. Contudo, história política, por si só, não garante permanência no poder.
Quando um representante público se distancia da percepção, das necessidades e das expectativas de sua base eleitoral, o peso do currículo pode não ser suficiente para superar o desgaste.
Na política, apoio partidário ajuda. Estrutura financeira ajuda. Alianças ajudam. Mas, no fim, quem decide é o eleitor.
E a leitura que se fortalece em Rondônia é que Confúcio Moura não desistiu porque lhe faltavam aliados.
Desistiu porque temia que lhe faltassem votos.
Nelson Salles
Redação O Minuto Notícia – Informação é Poder!