
O debate entre os candidatos a vice-governador de Rondônia ganhou um dos momentos ‘mais interessantes’ durante o confronto entre os deputados estaduais Cirone Deiró e Delegado Camargo. O embate ocorreu quando a discussão chegou à carga tributária e às votações realizadas na Assembleia Legislativa de Rondônia.
Camargo, candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Marcos Rogério (PL), partiu para o ataque e atribuiu a Cirone participação em votações relacionadas ao aumento do ICMS, além de citar a Energisa e a criação de tributação relacionada à mineração.
“Votou a favor do aumento do ICMS, que aumentou o preço do combustível, da farmácia, do mercado. O senhor votou pelo perdão da dívida da Energisa. O senhor votou a favor da criação do imposto da mineração, que aumentou a brita, o cascalho”, afirmou Camargo.
A cobrança, porém, abriu espaço para uma resposta que mudou o rumo do confronto e demonstrou o total despreparo de Camargo, inclusive emocionalmente.
Cirone Deiró, candidato a vice-governador na chapa de Hildon Chaves, contestou diretamente a acusação. Segundo o parlamentar, no dia da votação mencionada ele não estava participando da sessão, mas em Cacoal, onde recebia o então comandante da Polícia Militar de Rondônia, coronel Braguin, para tratar de segurança rural.
“Esclarecer, caro colega, no dia da votação desse projeto, eu estava na cidade de Cacoal, recebendo lá o coronel Braguinha, para nós discutirmos sobre segurança rural”, declarou.
Foi na sequência que ocorreu a reviravolta do embate. Cirone deixou a posição de acusado e passou a questionar a conduta do próprio Camargo, argumentando que o adversário estava na Assembleia e teria tido a oportunidade de tentar impedir ou retardar a votação da matéria.
“Mas ele insiste em dizer que eu votei, porque ele, como deputado, teve a oportunidade, mais uma vez, de pedir vista do projeto, mas ele preferiu deixar o projeto ser votado para depois se apresentar para essas câmeras, dizendo: ‘Olha, eu fui o único que não votei contra o aumento do ICMS’. Muito bonito, o que que resolveu?”, disparou Cirone.
O embate entre os dois parlamentares expôs uma das faces mais duras do jogo político: a tentativa de transformar um questionamento em instrumento de desgaste eleitoral sem, aparentemente, conferir todos os fatos que cercavam o episódio citado.
Ao confrontar Cirone Deiró sobre a votação relacionada ao ICMS, Camargo tentou atribuir ao adversário político responsabilidade direta pela decisão. A resposta, porém, provocou uma reviravolta no debate. Cirone nem estava presente.
Mais do que rebater a acusação, Cirone devolveu o questionamento ao adversário ao lembrar que Camargo, como deputado presente naquela ocasião, teria tido a oportunidade de pedir vista do projeto e, segundo a versão apresentada durante o debate, não o fez.
O episódio colocou Camargo em uma situação desconfortável. Delegado da Polícia Civil e deputado estadual, ele demonstrou, naquele momento do confronto, dificuldade para sustentar a acusação diante da resposta apresentada pelo concorrente. A investida que pretendia pressionar Cirone acabou abrindo espaço para questionamentos sobre o próprio conhecimento de Camargo a respeito da tramitação da matéria e dos acontecimentos daquele dia.
Em uma disputa eleitoral, acusações dessa natureza exigem precisão. Quando um candidato utiliza o histórico parlamentar de um adversário como argumento, espera-se que conheça não apenas o resultado de uma votação, mas também quem participou dela, como cada parlamentar se posicionou e quais instrumentos regimentais estavam disponíveis.
Foi justamente aí que Cirone conseguiu inverter o confronto: saiu da posição de acusado e colocou Camargo na obrigação política de explicar sua própria atuação naquele episódio.
O embate mostrou que, em um debate eleitoral, uma acusação feita sem domínio completo dos fatos pode produzir exatamente o efeito contrário ao pretendido.
Nelson Salles da Redação
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