Em meio à repercussão da suspensão da cobrança de pedágios na BR-364, alguns parlamentares apressaram-se em reivindicar para si o protagonismo pela medida. No entanto, o deputado estadual Cirone Deiró (União Brasil), eleito com expressiva votação pelo povo de Cacoal (RO), decidiu trazer uma versão mais técnica — e, ao que tudo indica, menos teatral — sobre os acontecimentos.
Em vídeo divulgado recentemente, o parlamentar destacou pontos que classificou como determinantes para o embargo da concessionária responsável pela rodovia.
Cirone explicou, “por A mais B”, como se diz no vocabulário popular, que o impedimento da continuidade das cobranças, está justamente na análise objetiva dos fatos. Para o deputado, foram elementos técnicos e jurídicos que provocaram a intervenção, resultando na suspensão da cobrança.
Enquanto alguns agentes públicos trataram de enfatizar uma suposta vitória pessoal — chegando, segundo observadores, a soar como se tivessem superado até mesmo o crivo da Justiça — Cirone adotou um tom mais cauteloso. Em sua manifestação, fez questão de reconhecer o papel das instituições e reforçar que decisões dessa natureza exigem responsabilidade e respeito ao devido processo legal.
Segundo o parlamentar, “a cobrança de pedágio nas rodovias federais que cortam Rondônia foi suspensa por decisão liminar da Justiça Federal no estado”, pontuou.
Ainda conforme Cirone, a medida ocorre em meio ao entendimento de que a empresa responsável pela concessão não teria cumprido integralmente obrigações contratuais relacionadas a investimentos estruturais, melhorias na segurança viária e avanços na qualidade do serviço prestado aos usuários.
Mesmo diante das pendências, os rondonienses já vinham arcando com tarifas consideradas expressivas, cenário que intensificou o descontentamento de motoristas, transportadores e do setor produtivo. A interrupção temporária da cobrança surge, portanto, como um momento estratégico para rediscutir os parâmetros adotados no contrato de concessão.
O debate agora se desloca para o campo político e institucional. Cresce a expectativa de que a bancada federal de Rondônia atue de forma mais incisiva junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), buscando a revisão dos valores praticados. Comparações com estados como Mato Grosso, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul — onde as tarifas são significativamente menores — reforçam o argumento de que há margem para reequilíbrio contratual.
Críticos do modelo atual sustentam que os preços impactam diretamente o custo de vida e a competitividade regional, especialmente em um estado cuja economia depende fortemente do transporte rodoviário. A suspensão, ainda que provisória, amplia o coro daqueles que defendem tarifas mais justas e compatíveis com a realidade local.
O momento é visto por lideranças e representantes da sociedade como uma oportunidade rara de reposicionar o debate e assegurar que futuras cobranças estejam efetivamente atreladas a entregas concretas — e não apenas a promessas contratuais.
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