Fernando Haddad, ministro da Fazenda. (Foto: Diogo Zacarias/MF)
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que havia uma "disputa de narrativas" sobre as operações do banco Master antes das apurações do Banco Central (BC) que culminaram na liquidação extrajudicial e da operação Compliance Zero que prendeu preventivamente o dono do banco, Daniel Vorcaro, sob suspeita de fraude ao sistema financeiro.
"Tinha uma disputa de narrativas muito esquisita, porque era assim: era uma porção de gente que entendia do riscado dizendo, 'meu, isso vai estourar, isso aqui não é sustentável, esse cara está pagando 140% do CDI, esse cara não tem investimento que cubra o que ele está pagando, ele vai quebrar'", contou, em entrevista ao Flow Podcast nesta sexta-feira (27). Do outro lado, segue o ministro, havia a versão de que o dono da instituição, Daniel Vorcaro, era um "gênio da raça", e que as críticas vinham do incômodo dos grandes bancos.
Ministro diz que sabia da fraude, mas não podia contar por "razões funcionais"
O conflito de versões teria postergado, nesse sentido, a apuração das fraudes. Haddad admitiu que sabia com antecedência do procedimento que culminou na liquidação do Banco Master, mas que não podia falar publicamente do assunto para evitar uma anulação da decisão do Banco Central (BC).
"Eu não podia falar antes da liquidação, eu estava impedido de falar, porque poderia ser usado pelo banco Master como se eu estivesse precipitado a crise", declarou o ministro, , alegando "razões funcionais" para não trazer o caso a público.
Haddad ainda questionou o motivo da demora nas investigações sobre as fraudes. De acordo com ele, haveria indícios para suspeitar das operações da instituição nos seis anos anteriores à liquidação. "Nos seis anos em que o banco cresceu, ninguém entendeu o que estava acontecendo? Essa é uma pergunta que está em todo canto", questionou.
O banco Master foi liquidado pelo BC no mesmo dia em que Vorcaro foi preso preventivamente. O banco oferecia investimentos em CDB (Certificado de Depósito Bancário) com promessa de retorno de 140% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário), enquanto o mercado paga pouco mais de 100%. A investigação aponta para a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem valor real.
Em 2024, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) apresentou uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para aumentar o valor máximo de um investimento coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).Hoje, investimentos de até R$ 250 mil estão cobertos. A ideia era aumentar o limite para R$ 1 milhão.
Por Vinicius Macia