Nesta terça-feira, 19 de agosto, a Polícia Civil de Rondônia, por meio da 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (DRACCO2) e com apoio do Ministério Público de Rondônia (MP/RO), deflagrou a Operação “A Última Dose” . A ação investiga o desvio e a comercialização irregular de vacinas destinadas ao Sistema Único de Saúde (SUS) no município de Cacoal (RO).
Segundo a apuração, uma clínica privada, em parceria com servidores municipais, aplicava de forma clandestina doses da vacina BCG — imunizante essencial para a prevenção da tuberculose em crianças — cobrando R$ 200 por aplicação. O imunizante não está disponível na rede privada desde maio de 2023, o que reforça a gravidade do esquema.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em residências, na sede da clínica investigada, na Secretaria Municipal de Saúde e no CER II (Centro Especializado em Reabilitação). A Polícia Civil recolheu documentos, registros e equipamentos eletrônicos que devem servir como provas do crime.
Além de desviar recursos públicos, o esquema representa uma ameaça direta à saúde coletiva, já que vacinas retiradas do SUS podem não ter seguido os protocolos adequados de armazenamento e conservação, comprometendo sua eficácia. Veja o vídeo Casos semelhantes na Região Norte Embora o caso de Cacoal seja recente, ele não é isolado. Nos últimos anos, diferentes operações já apontaram para esquemas de desvio de medicamentos e vacinas em Rondônia e na Região Norte: Operação Metástase (Rondônia, 2017) – A Polícia Federal investigou o desvio de medicamentos de alto custo em hospitais públicos de Porto Velho. Os prejuízos ultrapassaram R$ 2 milhões, e parte dos remédios era revendida em clínicas particulares. Operação Dose Dupla (Amazonas, 2018) – O Ministério Público descobriu um esquema de comercialização irregular de vacinas em Manaus. Profissionais da saúde desviavam doses do SUS para clínicas privadas, cobrando valores entre R$ 150 e R$ 300 por aplicação. Desvios na pandemia (Rondônia, 2021) – Durante a crise da Covid-19, surgiram denúncias de favorecimento na aplicação de vacinas em Porto Velho e Ji-Paraná, o que levou à abertura de inquéritos contra gestores municipais. Embora muitos casos tenham sido arquivados por falta de provas, o episódio expôs fragilidades no controle de distribuição. Esses episódios revelam que o desvio de vacinas e medicamentos na Região Norte é um problema recorrente, marcado por falhas na fiscalização e pela vulnerabilidade dos sistemas de armazenamento e distribuição.
No caso de Cacoal, a irregularidade ganha contornos ainda mais graves porque envolve uma vacina infantil de aplicação obrigatória, tornando o esquema não apenas um crime contra o patrimônio público, mas também um atentado direto à saúde das crianças.
Ainda não houve manifestação por parte da Semusa, nem a prefeitura emitiu “Nota” até o fechamento desta reportagem. O Minuto Notícia segue acompanhado o caso. Da Redação O Minuto Notícia - Informação é Poder!