Do Carandiru às disputas eleitorais internacionais, passando pela retórica econômica e pelo autoritarismo tropical, o mosaico das colunas desta semana revela um ponto em comum: vivemos tempos em que o passado não passou, e o futuro insiste em repetir os mesmos erros — só que em escala global.
Colunistas Brasil a fora seguem disputando a mixaria de leitores que ainda buscam em artigos bem escritos, instrução e informação sobre o que de fato tem ocorrido no país. Nesta quarta-feira, 13 de agosto, alguns dos colunistas mais respeitados em suas áreas de atuação, mostraram a que vieram. O resultado é um país onde a moderação virou palavrão e o diálogo, artigo de luxo. Drauzio Varella nos transporta para dentro dos muros do Carandiru, onde assistiu, quase como testemunha ocular de um experimento social sombrio, aos primórdios da criação do PCC. A narrativa deixa claro que o crime organizado não nasceu do nada: germinou em solo fértil de abandono estatal, violência institucional e desespero coletivo.
Enquanto isso, Ruy Castro faz a ponte entre Brasil e Estados Unidos, comparando os olhares entre Trump e Bolsonaro como se fossem reflexos distorcidos no mesmo espelho político. É o populismo exportado e importado, retroalimentando-se em um ciclo que mistura idolatria e desprezo, com efeitos tóxicos sobre democracias fragilizadas.
Na mesma linha de alerta, Elio Gaspari defende que votar a anistia para golpistas seria o “melhor remédio” — não como perdão ingênuo, mas como estratégia para que a história avance, evitando que a vingança política transforme o país em refém eterno de seus próprios fantasmas.
Do outro lado do espectro, Deirdre Nansen McCloskey questiona a insistência da direita em atrelar sua retórica ao empreendedorismo como se fosse um dogma intocável. Ela sugere que, ao confundir conservadorismo com “receita única” para a prosperidade, a própria lógica do mercado corre risco de se tornar engessada e ineficaz.
E, olhando para fora, Latinoamérica21 alerta para um fenômeno que já mostrou seus riscos em outros continentes: a reeleição ilimitada, desta vez com Nayib Bukele em El Salvador. Um caminho que, segundo eles, é sem volta — e cuja primeira vítima é sempre a alternância de poder, essência da democracia.
O panorama é desolador, mas coerente: das prisões brasileiras aos palácios presidenciais latino-americanos, passando pelas urnas norte-americanas e pelos discursos econômicos globalizados, estamos diante de um mundo em que o erro não só se repete — ele se profissionaliza. Eu vejo um Brasil no espelho torto das narrativas. Que dó meu DEUS! Meu país, que já foi tão feliz, atualmente disputa migalhas! Há quem trabalhe incansavelmente para prejudicar a imagem do Brasil, não por críticas construtivas ou por amor ao país, mas por puro prazer em alimentar a fogueira da descrença. "São militantes sem bússola, que transformam causas legítimas em caricaturas ideológicas, como se a bandeira de um partido valesse mais que a própria bandeira nacional", digo eu, enquanto ainda posso. Do outro lado, não é diferente. A direita bolsonarista se afunda em seus próprios excessos, incapaz de entender que defender valores conservadores não significa transformar cada adversário político em inimigo mortal. Basta fazer o que são defendidos pelo principal princípío que rege a sociedade: "respeito". Eu repito aqui: “o resultado é um país onde a moderação virou palavrão e o diálogo, artigo de luxo”. No meio desse duelo de cegos, a esquerda se perde na sua “esquerdização” desordenada, achando que radicalizar é sinônimo de progresso, quando na verdade é só mais combustível para a polarização que paralisa o Brasil.
E, como se não bastasse, o Judiciário parece decidido a interpretar “justiça plena” como um conceito opcional. Sob a justificativa de proteger a democracia, flerta perigosamente com o autoritarismo jurídico, minando a confiança na própria instituição que deveria ser o último bastião da imparcialidade.
No fim, o Brasil segue refém de narrativas que distorcem a realidade. Não importa o lado: todos parecem mais preocupados em vencer a batalha das redes sociais do que em construir um país decente no mundo real. Relembrando que enquanto isso, a imagem do Brasil vai sendo moldada não pelo que somos, mas pelo que nossos extremos gritam. O Minuto Notícia – Informação é Poder!