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Editorial – Maturidade Emocional: a força de quem aprendeu a governar a si mesmo

Porque no final das contas, aquilo que realmente permanece não é o que acumulamos, mas aquilo que nos tornamos.

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Nelson Salim Salles é comunicador desde 1994 - Apresentador de TV e rádio

Vivemos em um tempo em que muitas pessoas querem liderar empresas, equipes, famílias e até influenciar multidões, mas ainda encontram dificuldades para liderar a si mesmas. E talvez seja exatamente aí que esteja uma das maiores diferenças entre uma pessoa comum e uma pessoa verdadeiramente respeitada: a maturidade emocional.

Aristóteles, um dos maiores filósofos da história, ensinava que "conhecer a si mesmo é o começo de toda sabedoria". Essa reflexão continua extremamente atual. Afinal, maturidade emocional não significa ausência de problemas, nem ausência de dor, de críticas ou de desafios. Significa saber administrar as emoções diante das circunstâncias da vida.

Uma pessoa madura não é aquela que nunca se irrita. É aquela que sabe o momento de falar e o momento de silenciar. Não é aquela que nunca erra. É aquela que reconhece seus erros e busca corrigi-los. Não é aquela que vence todas as batalhas. É aquela que aprende com cada derrota.

O filósofo estoico Sêneca dizia que "o homem que sofre antes de ser necessário sofre mais do que o necessário". Quantas vezes nos desgastamos por situações que sequer aconteceram? Quantas vezes permitimos que a ansiedade, a raiva ou a preocupação roubem a nossa paz? A maturidade emocional nos ensina a enfrentar a realidade como ela é, e não como imaginamos que ela possa ser.

No Brasil, o professor e filósofo Mário Sérgio Cortella costuma afirmar que "não nascemos prontos". E essa frase é poderosa porque nos lembra que ninguém está acabado. Todos estamos em constante construção. A maturidade é uma obra permanente. É um aprendizado diário que exige humildade para ouvir, coragem para mudar e sabedoria para evoluir.

Clóvis de Barros Filho também ensina que o caráter se revela principalmente quando ninguém está observando. E aqui chegamos a um ponto fundamental: o verdadeiro valor de uma pessoa não está no cargo que ocupa, no dinheiro que possui ou nos elogios que recebe. O verdadeiro valor está no seu caráter.

Uma pessoa conceituada, responsável e admirada pela sociedade geralmente possui características muito claras. Ela honra compromissos. Respeita a palavra dada. Cumpre seus deveres mesmo quando ninguém está fiscalizando. Trata as pessoas com dignidade independentemente de posição social. Não usa a força para humilhar, nem o conhecimento para diminuir os outros.

E entre todas as virtudes que sustentam um bom caráter, poucas são tão nobres quanto a gratidão.

A gratidão transforma a forma como enxergamos a vida. Quem é grato compreende que ninguém vence sozinho. Reconhece o esforço da família, dos amigos, dos colegas de trabalho, dos professores e até mesmo daqueles que, em determinados momentos, serviram de adversários e ensinaram importantes lições.

John C. Maxwell afirma que uma das marcas das grandes lideranças é a capacidade de valorizar as pessoas. E isso nasce da gratidão. Pessoas ingratas geralmente acreditam que conquistaram tudo sozinhas. Pessoas maduras sabem reconhecer cada mão estendida ao longo do caminho.

A Bíblia Sagrada também nos oferece ensinamentos profundos sobre esse tema. Em Provérbios 16:32 está escrito:

"Melhor é o que tarda em irar-se do que o poderoso, e o que controla o seu espírito do que aquele que conquista uma cidade."

Observe a profundidade dessa mensagem. O maior domínio não é sobre os outros. O maior domínio é sobre si mesmo.

Já em Colossenses 3:15 encontramos outro ensinamento valioso:

"E sede agradecidos."

Não é um conselho complexo. É uma orientação direta. Seja agradecido. Porque a gratidão ilumina a alma, fortalece os relacionamentos e nos lembra diariamente das bênçãos que muitas vezes passam despercebidas.

Vivemos dias em que muitos confundem firmeza com agressividade, sinceridade com grosseria e autoridade com arrogância. Mas a verdadeira maturidade emocional não grita. Ela inspira. Não impõe. Convence pelo exemplo. Não busca aplausos. Busca coerência.

O homem ou a mulher de caráter não muda de personalidade conforme o ambiente. Mantém os mesmos princípios em casa, no trabalho, na igreja, na política, nos negócios e na vida pública. Porque valores verdadeiros não são roupas que se trocam conforme a ocasião. São fundamentos que sustentam uma existência inteira.

Que possamos refletir sobre isso. Em um mundo que valoriza aparências, que possamos valorizar essência. Em um tempo de reações impulsivas, que possamos cultivar equilíbrio. Em uma sociedade marcada por divisões, que possamos praticar respeito. E acima de tudo, que possamos desenvolver a maturidade emocional necessária para enfrentar as adversidades sem perder a dignidade, a gratidão e o caráter.

Porque no final das contas, aquilo que realmente permanece não é o que acumulamos, mas aquilo que nos tornamos.


Nelson Salim Salles

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