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Educação em Cacoal: assembleia aprova greve por tempo indeterminado e preocupação se volta também aos alunos

Decisão tomada em assembleia do SINSEMUC amplia mobilização dos servidores da educação; categoria reivindica direitos, enquanto famílias aguardam solução que preserve também a continuidade do ano letivo

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Professores da rede municipal estão em greve por tempo indeterminado

A tensão entre os profissionais da educação municipal e o poder público ganhou um novo e importante capítulo em Cacoal. Uma assembleia realizada na Câmara Municipal deliberou pela deflagração de greve por tempo indeterminado, aprofundando uma mobilização que já vinha sendo construída pela categoria e acompanhada pela sociedade nas últimas semanas.

A decisão foi tomada durante assembleia conduzida pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Cacoal (SINSEMUC) e envolve profissionais da rede municipal de educação.

O movimento não surgiu de uma hora para outra. No fim de julho, o SINSEMUC já havia anunciado uma paralisação da educação municipal para o dia 30 de julho, demonstrando que havia insatisfação e possibilidade de endurecimento da mobilização caso não houvesse avanço nas tratativas.

Ao longo desse processo, Fernando Neves, presidente do Sinsemuc já vinha alertando para a possibilidade de a situação chegar a uma greve, diante do impasse entre as reivindicações apresentadas pela categoria e as respostas esperadas do poder público municipal.

Agora, com a deliberação da assembleia, o debate entra em uma fase ainda mais delicada.

A reivindicação dos profissionais da educação precisa ser compreendida dentro do direito de organização e mobilização dos trabalhadores. Professores e demais servidores têm legitimidade para apresentar suas demandas, cobrar valorização profissional e buscar respostas para aquilo que entendem como direitos da categoria.

Entretanto, existe outro lado dessa equação que não pode desaparecer da discussão: os alunos da rede municipal de ensino.

São crianças e famílias diretamente atingidas quando as salas de aula deixam de funcionar normalmente. Cada dia sem aula representa conteúdo que precisa ser recuperado posteriormente e uma alteração na rotina pedagógica construída pelas escolas.

Por isso, o desafio colocado diante de sindicato, servidores e administração municipal ultrapassa uma disputa trabalhista. Estamos falando também do direito das crianças à educação contínua e de qualidade.

Uma greve na educação produz efeitos diferentes daqueles observados em diversos outros setores. O calendário escolar possui carga horária e dias letivos que precisam ser cumpridos, mas educação não pode ser analisada exclusivamente pela matemática do calendário.

Uma aula perdida hoje não é necessariamente recuperada apenas acrescentando um dia ao final do ano.

Existe sequência pedagógica, planejamento, avaliação e acompanhamento do desenvolvimento dos estudantes. Quanto maior a interrupção, maior pode ser o desafio para reorganizar todo esse processo.

Outro ponto que merece atenção é justamente a eventual reposição das aulas.

Em movimentos de paralisação, normalmente surge a previsão de reorganização do calendário posteriormente. Entretanto, para as famílias, não basta que a reposição exista formalmente no papel. É necessário assegurar que o conteúdo e a carga pedagógica sejam efetivamente recuperados.

Essa preocupação se torna ainda maior entre estudantes que apresentam dificuldades de aprendizagem ou necessitam de acompanhamento mais próximo.

Portanto, defender os direitos dos profissionais da educação e defender o direito dos alunos não são posições necessariamente incompatíveis.

O que se espera é responsabilidade de todos os envolvidos.

Da administração municipal, espera-se disposição para o diálogo, transparência sobre aquilo que pode ou não ser atendido e esforço para encontrar uma solução que evite o prolongamento do conflito.

Do sindicato e dos profissionais, espera-se que, ao exercerem legitimamente seus instrumentos de reivindicação, mantenham também no centro das preocupações as consequências da paralisação sobre milhares de estudantes.

E das instituições responsáveis pela mediação desse processo, espera-se agilidade. Quanto mais tempo durar o impasse, mais difícil poderá ser a recomposição do calendário e da rotina escolar.

A discussão não deve ser transformada em uma disputa para descobrir quem está de um lado e quem está do outro.

É possível respeitar a mobilização dos professores e demais profissionais e, simultaneamente, perguntar: como ficarão as crianças?

Essa talvez seja uma das questões mais importantes a partir de agora.

Os estudantes não participam das negociações, não definem políticas salariais, não administram orçamento público e tampouco possuem responsabilidade pelos impasses entre servidores e administração. Ainda assim, são diretamente alcançados pelas consequências de uma greve.

É justamente por isso que o diálogo precisa prevalecer.

Cacoal chega a este momento depois de sinais anteriores de insatisfação e paralisações. A decisão pela greve por tempo indeterminado demonstra que o conflito alcançou um patamar que exige respostas concretas.

O O Minuto Notícia continuará acompanhando o posicionamento do SINSEMUC, dos profissionais da educação e da administração municipal, garantindo espaço para os diferentes lados envolvidos.

A valorização dos profissionais da educação é fundamental. O respeito aos direitos dos servidores também.

Mas existe um compromisso igualmente indispensável: garantir que as crianças não se transformem nas maiores prejudicadas por um problema que precisa ser resolvido entre adultos e instituições.

Quanto mais rapidamente houver entendimento, melhor será para os servidores, para a administração pública e, sobretudo, para os alunos e suas famílias.



Nelson Salles da Redação

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