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Empresário é detido sob suspeita de ameças e lavagem de dinheiro

A investigação descobriu indícios de lavagem de dinheiro após as duas primeiras fases da operação.

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Empresário é detido sob suspeita de ameças e lavagem de dinheiro
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. (Foto: Gurometal/Wikimedia Commons)

A Polícia Federal prendeu novamente, nesta quarta (4), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. A prisão ocorreu no âmbito da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga a suspeita de um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo a instituição bancária.

Vorcaro foi preso em São Paulo junto do cumprimento de outros três mandados de prisão preventiva e 15 de busca e apreensão no próprio estado e em Minas Gerais.

O cunhado dele, o empresário e pastor Fabiano Zettel, também foi preso pela Polícia Federal. Ele se entregou à autoridade em São Paulo horas depois da prisão de Vorcaro, embora o mandado tivesse sido expedido em Minas Gerais.

Mendonça determinou a prisão, ainda, de Luiz Phillipi Machado Mourão e de Marilson Roseno da Silva, que faziam parte de um esquema de ameaça e coação de testemunhas liderado por Vorcaro.

Ainda em meio à operação, dois servidores de carreira do Banco Central foram afastados das funções públicas por envolvimento com o banqueiro.

A Polícia Federal afirmou, ainda, que foram determinadas ordens de sequestro e bloqueio de bens, no montante de até R$ 22 bilhões, com o "objetivo de interromper a movimentação de ativos vinculados ao grupo investigado e preservar valores potencialmente relacionados às práticas ilícitas apuradas".

A investigação descobriu indícios de lavagem de dinheiro após as duas primeiras fases da operação.

Em nota à Gazeta do Povo, a defesa de Vorcaro negou "categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro", e afirmou que "confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta" (veja na íntegra mais abaixo).

Já a defesa de Zettel afirmou que ainda está tomando conhecimento da investigação e que ele "está à inteira disposição das autoridades" (veja na íntegra mais abaixo).

A reportagem procurou também o Banco Central e aguarda retorno.

Ameaça a testemunhas

Além da fraude financeira, a Polícia Federal ressaltou que são investigados outros crimes como ameaça e invasão de dispositivos de informática. Já faziam parte da apuração as tipificações de corrupção e lavagem de dinheiro.

Isso, porque, a investigação descobriu a existência de um grupo de mensagens em que Vorcaro dava ordens para ameaça e coação de testemunhas, ex-funcionários e jornalistas -- com grave violência -- e obstrução de Justiça. Para isso, ele utilizava telefones celulares que não foram entregues aos policiais nas fases anteriores da operação.

Também se descobriu que um ex-diretor do Banco Central estava no grupo e que, em princípio, um policial federal aposentado seria o responsável por realizar as ofensivas contra testemunhas. Segundo fontes a par da investigação, ele é um dos presos nesta manhã, junto de uma pessoa que seria responsável pelo monitoramento de testemunhas e de jornalistas alvos de Vorcaro.

A investigação descobriu, ainda, que o grupo de Vorcaro conseguia acessar informações sigilosas de órgãos de segurança pública, como a própria Polícia Federal, o Ministério Público Federal e a Interpol, entre outros.

Os mandados foram autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator das ações penais envolvendo o Banco Master na Corte.

Defesas se pronunciam sobre prisões

Veja abaixo o posicionamento completo da defesa de Daniel Vorcaro sobre esta nova fase da operação Compliance Zero, da Polícia Federal:

A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.

A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.

Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.

Veja abaixo o que disse a defesa de Fabiano Zettel sobre a prisão:

Tendo tomado conhecimento da deflagração da 3ª Fase da Operação Complience Zero, a defesa de Fabiano Campos Zettel informa que seu cliente já se apresentou à Polícia Federal. Em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades

Segunda prisão

Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado durante a primeira fase da Operação Compliance Zero para investigar suspeitas de fraudes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN). A detenção ocorreu no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando ele se preparava para viajar a Dubai, onde supostamente teria negociações para a venda de parte do Banco Master.

A operação apurava a venda de carteiras de crédito sem lastro no valor de R$ 12,2 bilhões ao Banco de Brasília (BRB), que gerou um rombo que o governo do Distrito Federal discute como será compensado.

Após a prisão, Vorcaro passou por audiência de custódia na Justiça Federal em Brasília, que manteve inicialmente a medida cautelar. Dias depois, no entanto, a defesa obteve habeas corpus e o banqueiro foi solto mediante uso de tornozeleira eletrônica e cumprimento de outras restrições judiciais, como comparecimento periódico à Justiça.

Paralelamente ao avanço das investigações, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, alegando incapacidade de a instituição honrar compromissos financeiros, e outras instituições coligadas, como os bancos Letsbank, Will Bank e Pleno e a corretora Reag.

Em meados de janeiro, o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, afirmou que as operações suspeitas do Banco Master podem configurar como a maior fraude bancária já vista na história do país.

A liquidação do Banco Master ocorreu um dia após a Fictor Holding apresentar uma proposta para adquirir a instituição controlada por Vorcaro. A decisão também ocorreu pouco mais de dois meses após a autoridade monetária rejeitar a tentativa de compra da empresa pelo Banco de Brasília (BRB).

Três meses depois da deflagração da primeira fase da operação Compliance Zero, a Fictor Holding pediu recuperação judicial alegando consequências pela transação que tentou realizar pelo Banco Master.

Por Guilherme Grandi

Por Juliet Manfrin



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