O Brasil atravessa um momento político em que passado e futuro se entrelaçam de forma perigosa. As recentes manifestações de 7 de setembro, marcadas por pedidos de “intervenção externa”, expuseram a fragilidade de uma democracia que ainda luta para consolidar suas bases institucionais.
Ao mesmo tempo, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, assume uma escalada de discurso que atende diretamente às expectativas do bolsonarismo, chegando a atacar o Supremo Tribunal Federal e a defender anistia a Jair Bolsonaro. A cena política ganha contornos dramáticos: de um lado, um governo federal que tenta garantir estabilidade econômica e institucional; de outro, atores regionais que transformam a radicalização em plataforma eleitoral para 2026. No plano internacional, os ecos não são menos preocupantes. Enquanto na Europa a França enfrenta crise política com a provável queda de seu primeiro-ministro, e a Argentina vive turbulência após derrota de Milei em Buenos Aires, o Oriente Médio volta a ser palco de atentados e escaladas militares. O mundo parece entrar em um ciclo em que o extremismo, seja religioso, político ou ideológico, ganha terreno sobre a moderação. O editorial que se impõe é de alerta. Democracias não se destroem apenas com tanques nas ruas, mas com discursos que normalizam o autoritarismo, com líderes que fazem cálculos eleitorais de curto prazo e esquecem o impacto de longo prazo sobre a confiança nas instituições. É nesse terreno que se decide o futuro do Brasil e da ordem internacional: se a política continuará a ser um espaço de divergência saudável ou se se tornará, mais uma vez, um campo de batalha contra a própria democracia.
— Da Redação