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Entre a toga e a urna: o Brasil precisa de regras claras

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Entre a toga e a urna: o Brasil precisa de regras claras

A cada novo ciclo de “urgências nacionais”, o Brasil revive a mesma pergunta antiga: quem manda — e até onde? Entre decisões de tribunais, disputas no Legislativo e a coreografia diária das redes, a cidadania observa um jogo em que a regra mais valiosa é a previsibilidade. Democracia não é um show de improviso. É um contrato. E contratos só funcionam quando as cláusulas são claras, públicas e estáveis.

Liberdade de expressão, aqui, não pode ser slogan — precisa ser política de Estado. Ela convive, necessariamente, com responsabilidade civil e penal por abusos. O equilíbrio se faz com critérios objetivos, prazos, direito ao contraditório e transparência radical dos procedimentos. Sem isso, caímos na alternância tóxica entre censura informal e vale-tudo retórico. A segurança pública sofre do mesmo mal de origem: descontinuidade. Operações vistosas, sem integração de dados e sem avaliação independente de resultados, são manchetes efêmeras. O que funciona é o que permanece — indicadores comparáveis, interoperabilidade entre forças, Justiça célere e políticas sociais que cortem o oxigênio do crime. A cada troca de comando, não se pode trocar o alfabeto da gestão. Na Amazônia — orgulho e dilema do país — o caminho também passa por metas e métricas. Proteção ambiental e prosperidade local não são adversárias: são gêmeas siamesas. Regularização fundiária, bioeconomia, crédito barato para quem produz sem destruir e punição efetiva a quadrilhas são pilares de um mesmo edifício. Sem eles, alternaremos surtos de repressão e retornos de devastação.

E a economia? O brasileiro não vive de narrativas; vive de emprego, renda e preços sob controle. Estabilidade fiscal com foco social, simplificação tributária que reduza o custo de empreender e políticas de produtividade (educação técnica, inovação aplicada, infraestrutura) são a espinha dorsal de qualquer projeto sério de país. Sem disciplina, o ciclo recomeça: euforia, gasto, inflação, desalento.

No fim, a pergunta volta: quem manda? Mandam, por design, as regras — e nelas, o povo, mediado pelas instituições que juramos respeitar. O Brasil não precisa de mais ruído; precisa de um manual de operação cumprido à risca. Regras claras para a toga. Regras claras para a urna. Regras claras para a rua. Esse é o único atalho que, ironicamente, não é atalho: é o caminho. Da Redação O Minuto Notícia - Informação é Poder!