
Os números das despesas da Câmara Municipal de Cacoal (RO), estão no centro do debate popular e uma pergunta é fundamental: quanto custa representar a população e qual retorno efetivo essa representação entrega à sociedade?
O jornal eletrônico O Minuto Notícia já mostrou que, somente em 2026, os 12 vereadores de Cacoal acumularam mais de R$ 500 mil em diárias, além das despesas relacionadas à própria estrutura do Poder Legislativo.
Agora, a análise individual do parlamentar mais votado em 2024, ajuda a dimensionar esses valores considerados por muitos como exorbitantes!
O vereador Edimar Kapiche recebeu em 2024 1.800 votos, ou 3,74% da população de Cacoal investiu nele a sua confiança. Ao longo de 2026, ele acumulou R$ 77.206,00 em diárias, além do salário mensal do subsídio mensal informado, que é de R$ 13.183,00.
Considerando os oito primeiros meses do ano, são:
R$ 13.183,00 × 8 = R$ 105.464,00 em subsídios.
Somando-se os R$ 77.206,00 em diárias, o total chega a:
R$ 182.670,00 em oito meses.
Dividido pelo período analisado, o resultado representa uma média de R$ 22.833,75 por mês em recursos recebidos, considerando conjuntamente subsídio e diárias.
ATENÇÃO
É importante fazer uma distinção: diária não é salário. Trata-se de verba de natureza indenizatória destinada, em regra, a custear despesas decorrentes de viagens oficiais, como alimentação, hospedagem e deslocamentos. Portanto, não seria correto afirmar que o vereador possui salário mensal de R$ 22,8 mil.
O que os números demonstram é que, quando se coloca lado a lado o subsídio parlamentar e o volume de diárias acumulado no período, R$ 182,6 mil passaram pela remuneração e pelas indenizações relacionadas ao exercício do mandato em apenas oito meses.
E é justamente aí que começa a discussão de interesse público.
Cacoal possui menos de 100 mil habitantes e convive com problemas estruturais que fazem parte da rotina dos seus milhares de moradores.
Há bairros e setores enfrentando dificuldades relacionadas ao saneamento básico, pontos com esgotamento sanitário inadequado, demandas de infraestrutura urbana e situações envolvendo regularização de loteamentos e residenciais.
Na saúde pública, as reclamações também alcançam tanto os serviços municipais quanto unidades cuja administração pertence ao Governo de Rondônia.
É evidente que um vereador municipal não administra hospitais estaduais e não possui competência administrativa para executar diretamente serviços que pertencem ao Estado. Mas isso não significa que o parlamentar municipal esteja impedido de agir.
Fiscalizar, cobrar providências, apresentar requerimentos, promover audiências públicas, encaminhar representações, dialogar institucionalmente com deputados estaduais, Governo do Estado e secretarias, além de transformar os problemas enfrentados pela população em pressão política institucional, também fazem parte da representação pública.
E diga-se de passagem: “Não precisa viajar tanto para fazer tudo isso”.
Por isso, simplesmente responder que determinado problema “não é da alçada do vereador” não encerra necessariamente a responsabilidade política de quem recebeu votos para representar o cidadão.
Educação também expõe o contraste. Outro ponto sensível está na educação municipal.
A administração do prefeito Tony Pablo (PSD), que assumiu em abril de 2026, após renúncia do ex-prefeito Adaílton Fúria, mesmo partido, vem argumentando sobre limitações financeiras diante das reivindicações dos profissionais da educação, enquanto a própria estrutura física de unidades escolares também demanda investimentos, manutenção e melhorias.
Esse cenário torna inevitável uma comparação sobre prioridades públicas. De um lado estão professores discutindo valorização profissional, escolas necessitando de estrutura e uma administração alegando limites orçamentários.
Do outro está uma Câmara Municipal em que somente as diárias dos vereadores ultrapassaram a casa dos R$ 500 mil em 2026, além dos respectivos subsídios mensais.
E um único parlamentar, no recorte apresentado nesta reportagem, chega a R$ 182.670,00 entre oito meses de subsídios e diárias, média equivalente a R$ 22.833,75 mensais no período.
A questão, portanto, não é afirmar que uma despesa legal seja automaticamente irregular. Também não se pode concluir que toda viagem realizada por vereador seja desnecessária.
A pergunta jornalisticamente relevante é outra: qual benefício concreto cada viagem trouxe para Cacoal?

Se houve cursos, reuniões, congressos, visitas institucionais ou agendas fora do município, é legítimo que a população saiba quais resultados foram produzidos, quais projetos nasceram dessas agendas, quais recursos foram conquistados e quais problemas da cidade avançaram depois dessas viagens.
Porque dinheiro público exige mais do que documentação regular. Exige finalidade, transparência, economicidade e resultado.
Em uma cidade que ainda discute saneamento, infraestrutura, regularização urbana, qualidade da saúde e condições das escolas municipais, cada real destinado à estrutura política precisa ser acompanhado pela mesma pergunta:
o que Cacoal recebeu de volta?
O Minuto Notícia continuará apresentando os números individualmente, permitindo que o cidadão conheça quanto cada vereador recebeu em diárias ao longo de 2026 e possa formar sua própria opinião sobre o custo e os resultados da representação parlamentar.
Está prevista para este sábado, 29 de agosto, os números envolvendo a vereadora Marilande Alves, que recebeu 1.539 votos em 2024, ou 3,20% dos créditos da população de Cacoal.

Nelson Salles da Redação
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