A política no Brasil parecia um roteiro de série, mas sem os cortes dramáticos de Netflix: o STF avançou no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e da chamada “trama golpista”, enquanto o ministro Luiz Fux surpreendeu com um voto que absolveu o ex-comandante da Marinha do crime de golpe de Estado — um gesto celebrado por bolsonaristas, que enxergam agora brechas para reverter condenações. Na prática, é a imagem da democracia testada ao limite, com ministros do Supremo convertidos em protagonistas de um enredo que mistura bastidores jurídicos, pressões políticas e desinformação em tempo real.
No cenário internacional, o trumpismo também enfrenta sua própria tempestade. O influenciador conservador Charlie Kirk foi baleado durante um evento universitário em Utah e não resistiu aos ferimentos, um episódio que coloca sob os holofotes a escalada da violência política nos Estados Unidos. O episódio dialoga com as convulsões francesas — estradas bloqueadas, ônibus queimados e protestos contra o governo — e com o Nepal, onde o Exército retomou o controle de Katmandu após manifestações mortais. Na América do Sul, o presidente argentino Javier Milei tenta recompor pontes políticas após revés eleitoral, recriando ministérios para se aproximar dos governadores, enquanto no Brasil, Lula reafirma em alto e bom som que o país tem “nariz próprio” diante das ameaças dos EUA. Tudo isso ocorre no mesmo dia em que servidores do INSS recebem bônus para reduzir filas de aposentadoria, e investidores olham surpresos para Larry Ellison, fundador da Oracle, que superou Elon Musk na lista dos bilionários — sinal de que a economia global não dorme enquanto as instituições tremem. É impossível não notar a ironia do quadro: enquanto ministros discutem a essência do Estado de Direito, no Oriente Médio uma ação de Israel mata dezenas no Iêmen, no Brasil um homem é queimado vivo a caminho do trabalho em São Paulo, e cientistas relatam avanços em medicamentos para lesões medulares. É o choque cotidiano entre o sublime e o brutal, entre esperança e barbárie.
O editorial de hoje não tem a pretensão de esgotar todos os temas, mas de apontar o fio condutor que os une: a crise de legitimidade das instituições e o risco real de normalizarmos o absurdo. Quando tribunais viram arenas, ruas se transformam em campos de batalha e redes sociais substituem o debate público, é preciso redobrar a vigilância democrática. Mais do que acompanhar “ao vivo”, é hora de agir para que o espetáculo não engula a sociedade. Da Redação O Minuto Notícia – Informação é Poder!