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Especialistas detalham opções terapêuticas e acompanhamento

Pesquisa mostra que células do tumor usam outras células do corpo para invadir tecidos e resistir ao tratamento.

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Especialistas detalham opções terapêuticas e acompanhamento

Um estudo da Universidade de Nagoya, no Japão, identificou um novo mecanismo que ajuda a explicar por que o câncer de ovário se espalha com tanta facilidade pelo abdômen e costuma resistir à quimioterapia.

A pesquisa publicada na última sexta-feira (6/2) na revista científica Science Advances mostra que as células do tumor não agem sozinhas: elas recrutam células saudáveis do revestimento abdominal para facilitar a invasão em outros órgãos.

O câncer de ovário é considerado o mais letal entre os tumores ginecológicos. Um dos principais motivos é que a doença costuma ser diagnosticada tardiamente, quando o tumor já se espalhou para outras regiões do abdômen.

Diferentemente de outros tipos de câncer, que se disseminam principalmente pelo sangue, o câncer de ovário costuma se espalhar pelo líquido presente na cavidade abdominal. Esse ambiente facilita que as células tumorais cheguem a novos tecidos e formem metástases.

O que o estudo descobriu

O estudo mostrou que as células do câncer de ovário raramente se espalham sozinhas. Em vez disso, elas se unem a células chamadas mesoteliais, que revestem órgãos como intestino e fígado e ajudam a protegê-los.

Essas células mesoteliais acabam sendo “convencidas” pelo tumor a colaborar com a invasão. Juntas, elas formam grupos mistos — chamados de esferas híbridas — que conseguem se fixar com mais facilidade em outros tecidos do abdômen.

Segundo os pesquisadores, cerca de 60% dessas esferas encontradas no líquido abdominal continham células mesoteliais, o que mostra que essa cooperação é comum e importante para a progressão da doença.

O estudo revelou que as células do câncer liberam uma substância chamada TGF-β1, que altera o comportamento das células mesoteliais. Após esse estímulo, as mesoteliais passam a formar estruturas que perfuram os tecidos, abrindo caminho para que o tumor invada novos locais.

Além disso, essas esferas híbridas se mostraram mais resistentes à quimioterapia do que células cancerígenas isoladas, o que ajuda a explicar por que o tratamento muitas vezes perde eficácia ao longo do tempo.

O que isso muda no tratamento

A descoberta ajuda a mudar a forma como os cientistas entendem o avanço do câncer de ovário, abrindo caminho para estratégias mais eficazes no futuro. Com isso, os pesquisadores apontam novas possibilidades:

  • Bloquear o sinal químico que ativa as células mesoteliais.
  • Desenvolver tratamentos que também atuem nessas células de apoio.
  • Usar a presença das esferas híbridas como um possível marcador da progressão da doença.

Por Isabella França