
A disputa pelo Governo de Rondônia em 2026, começa a apresentar estratégias cada vez mais distintas entre os principais nomes colocados no cenário político estadual. Enquanto alguns pré-candidatos intensificam movimentos de aproximação política e enfrentamentos indiretos, outros procuram ampliar presença territorial, fortalecer bases já consolidadas e apresentar propostas a segmentos específicos da sociedade.
Entre os nomes que aparecem nesse tabuleiro estão o senador Marcos Rogério (PL), o ex-prefeito de Cacoal Adailton Fúria (PSD), o ex-prefeito de Porto Velho Hildon Chaves (União) e o deputado estadual Cirone Deiró (União).
Adailton Fúria tem adotado uma postura de forte presença pelo interior. Em vez de concentrar sua agenda em responder críticas ou declarações de adversários, o ex-prefeito de Cacoal busca ampliar o conhecimento de seu nome e de seu projeto político nos 52 municípios de Rondônia.
A estratégia tem colocado Fúria em uma agenda intensa de viagens, reuniões e encontros políticos, numa tentativa de transportar para o cenário estadual a projeção conquistada durante sua trajetória política em Cacoal.
O maior exemplo disso, é o apoio consolidado do Grupo Irmãos Gonçalves, divulgado amplamente pela assessoria do candidato nesta quarta-feira, 12 de agosto.
Marcos Rogério, por outro lado, também movimenta suas peças. Uma das articulações mais observadas recentemente envolve uma aproximação com o atual prefeito de Cacoal, Tony Pablo e com todos aqueles que não desenvolveram admiração pelo ex-prefeito de Cacoal, Adaílton Fúria.

Em declarações recentes, o senador elogiou a atuação do prefeito e afirmou que Tony Pablo assumiu a administração municipal em um cenário de dificuldades. Ao mesmo tempo, Marcos Rogério deixou claro que ainda não existe uma definição formal sobre eventual apoio político do prefeito, embora tenha sinalizado uma aproximação.
As declarações acabam, inevitavelmente, sendo interpretadas dentro do contexto eleitoral, especialmente porque Cacoal representa a principal base política de Adailton Fúria.
Enquanto esse embate político ganha atenção, Hildon Chaves e Cirone Deiró procuram percorrer outro caminho.
Os dois têm intensificado encontros com associações, lideranças comunitárias, entidades representativas e, especialmente, organizações ligadas ao setor produtivo e à agricultura familiar. Uma estratégia que foi utilizada e empregada com muito sucesso por Cirone Deiró na sua reeleição. Cirone foi reeleito com 20.398 votos, mais de 127% a mais, que no primeiro mandato, quando foi eleito em 2018, com 8.978 votos.
Cirone Deiró aposta justamente em uma estrutura política construída ao longo de seus mandatos como deputado estadual.

O parlamentar teve expressivo crescimento eleitoral entre sua primeira eleição e a reeleição à Assembleia Legislativa de Rondônia, resultado que fortaleceu sua presença política principalmente no interior do estado.
Agora, a estratégia passa por transformar essa capilaridade eleitoral em musculatura suficiente para disputar uma vaga no segundo turno da eleição para governador.
Em conversa sobre o cenário eleitoral, Cirone sustenta que sua prioridade não está nas movimentações ou ataques protagonizados pelos adversários, mas na apresentação de seu projeto para Rondônia e no contato com os grupos que já acompanharam seu trabalho durante os dois mandatos na Assembleia Legislativa.
Entre as principais áreas associadas à atuação política do deputado estão o setor rural, a agricultura familiar e ações relacionadas ao atendimento de pessoas com deficiência e à saúde. Cirone tem presença forte no esporte rondoniense também.
A sucessão na Assembleia Legislativa também faz parte dessa construção política. A esposa do deputado, Noeli Deiró, aparece como nome para disputar uma cadeira no parlamento estadual, com a proposta de dar continuidade à base política construída durante os mandatos de Cirone.
O ex-prefeito de Porto Velho (RO), mantém um discurso baseado na apresentação de propostas e na defesa de compromissos que considera possíveis de serem executados em uma eventual administração estadual.
Durante os dois mandatos como prefeito de Porto Velho (2017–2024), Hildon Chaves registrou índices elevados de aprovação, especialmente no período final da gestão.
Hildon também tem afirmado que não pretende direcionar sua campanha para responder ataques pessoais ou acompanhar diariamente a estratégia dos adversários. A prioridade, segundo essa linha política, seria aperfeiçoar o plano de governo e apresentá-lo diretamente à população durante as visitas pelo estado.
Esse comportamento produz uma configuração interessante na disputa.
Enquanto Marcos Rogério busca ampliar alianças importantes e Adailton Fúria percorre Rondônia trabalhando sua presença política, Hildon Chaves e Cirone Deiró procuram ocupar espaços que, muitas vezes, permanecem fora do centro do debate público, mas que possuem enorme peso eleitoral: associações, entidades comunitárias, produtores rurais, agricultura familiar e lideranças municipais.
É justamente nesse ponto que a eleição pode reservar surpresas.
Nelson Salles da Redação
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