MENU

Estresse emocional pode piorar crises de asma e urticária, alertam especialistas

Estresse e ansiedade influenciam o sistema imunológico e podem agravar doenças alérgicas já existentes, afirmam especialistas

Compartilhar:
1779372681_07c8068b0ce92c495590.jpg
Alergia emocional pode agravar crises de asma e urticária

Coceira intensa, crises de rinite, falta de ar e placas vermelhas na pele costumam ser associadas apenas ao contato com poeira, mofo, alimentos ou medicamentos. Mas o estado emocional também pode interferir diretamente no funcionamento do organismo e agravar doenças alérgicas.

Embora o termo “alergia emocional” não seja um diagnóstico médico oficial, especialistas afirmam que estresse, ansiedade e tensão psicológica podem intensificar sintomas e desencadear crises.

A alergista Maria Elisa Bertocco Andrade, diretora da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), explica que emoções negativas funcionam como um fator adicional sobre doenças que já existem.

“Não existe alergia emocional, mas existe uma interferência das emoções no funcionamento do corpo como um todo e as emoções negativas podem ser um fator que exacerba ou piora as doenças alérgicas”, afirma.

Como o emocional afeta o corpo

O estresse ativa mecanismos biológicos ligados à inflamação. Em momentos de tensão, o organismo libera hormônios e substâncias químicas capazes de alterar a resposta imunológica, deixando o corpo mais suscetível a crises.

Existe uma interação entre cérebro, sistema nervoso, hormônios e imunidade. Essa conexão provoca alterações que favorecem sintomas físicos típicos das alergias.

A psicóloga Veruska Vasconcelos, do Hospital Alvorada Moema, em São Paulo, explica que, quando o estresse se torna constante, células inflamatórias ficam mais sensíveis e aumentam a liberação de histamina, substância ligada às reações alérgicas. Isso faz o organismo permanecer em estado de alerta contínuo.

Quais alergias mais pioram

Entre as doenças mais impactadas pelo emocional estão asma, dermatite atópica, rinite alérgica e urticária crônica. Em muitos pacientes, períodos de sobrecarga psicológica coincidem com o agravamento dos sintomas.

A dermatite atópica costuma ser um dos casos mais evidentes. A pele possui diversas terminações nervosas capazes de responder rapidamente ao estresse. Na asma, situações emocionais intensas podem provocar broncoespasmos e dificuldade para respirar.

Os especialistas alertam que o problema pode virar um ciclo: a ansiedade piora a alergia e a própria alergia gera irritação, medo e insegurança emocional.

Quando procurar ajuda

Nem toda manifestação física ligada à ansiedade é uma alergia verdadeira. Por isso, o diagnóstico médico continua sendo essencial para excluir causas orgânicas e identificar se há associação entre fatores emocionais e doenças alérgicas.

Além do tratamento medicamentoso, o controle emocional pode ajudar a reduzir crises. Psicoterapia, exercícios físicos, técnicas de relaxamento, melhora do sono e práticas de respiração aparecem entre as estratégias recomendadas.

Para Veruska, ignorar o aspecto psicológico limita o tratamento. “O medicamento controla a crise, mas o trabalho psicológico muda o terreno”, conclui.

O acompanhamento integrado entre alergista e profissionais da saúde mental é apontado como um dos caminhos mais eficazes para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Controlar apenas os sintomas físicos, sem olhar para os fatores emocionais envolvidos, pode dificultar o controle das crises a longo prazo.

A recomendação é procurar avaliação médica sempre que os sintomas alérgicos se tornarem frequentes, intensos ou passarem a surgir em momentos de maior sobrecarga emocional. O tratamento adequado continua sendo a principal forma de evitar complicações e interromper o ciclo entre estresse e inflamação.

Por Bianca Queiroz



Junte-se ao Nosso Grupo! Receba notícias em primeira mão

Faça parte do nosso grupo WhatsApp.

Entrar Agora →