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Estudo aponta falha da “taxa das blusinhas” em estimular o comércio nacional

Levantamento mostra que medida não gerou o impacto esperado no varejo nacional e pode ter reduzido o consumo.

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Responsável pela equipe econômica, Haddad foi apelidado de "Taxad" pela oposição. Estudo mostra que tentativa de estimular consumo interno com taxação não surtiu o efeito desejado. (Foto: Andre Borges/EFE)

Um estudo da Global Intelligence and Analytics encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec) obteve que o objetivo do governo federal de privilegiar o comércio brasileiro por meio da chamada "taxa das blusinhas" não está sendo alcançado.

A Gazeta do Povo teve acesso ao relatório, assinado pelo professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Lucas Ferraz, com participação da doutora em Direito Internacional Fernanda Kotzias e dos doutores em Economia Alan Leal e Lucas Mariano. Ele conclui que "o foco do debate em torno da taxação das compras online no Brasil partiu de diagnóstico equivocado sobre a real fonte de pressão competitiva externa para o varejo nacional", uma vez que a importação ainda ocorre majoritariamente pela via tradicional da aduana, e não por compras em plataformas.

A "taxa das blusinhas" foi instituída em 2024. Com ela, o consumidor passou a ser tributado em 20% em compras internacionais de até US$ 50 e em 60% para compras acima disso.

Com a medida, o salário médio no setor de eletrônicos cresceu R$ 698, mas o setor de brinquedos passou a pagar R$ 930 a menos. Os dados também demonstram um aumento de mais de 1.533 no número de trabalhadores empregados no setor de tecnologia, mas uma queda de mais de 2.800 no setor dermatológico.

Em pontos percentuais, porém, tanto os números positivos quanto os negativos não ultrapassam as casas decimais. O setor que mais cresceu em salários, por exemplo, foi o de vestuário, e mesmo assim só viu um impacto de 0,3%. Do outro lado, o setor de papelaria observou uma queda de 0,98%. Na geração de empregos, o relatório caminha no mesmo sentido, identificando alta de 0,2% no setor de eletrônicos e queda de 0,7% em papelaria.

Por Vinicius Macia



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