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EUA impõem tarifa de 25% e podem atingir etanol, açúcar e pescados brasileiros

Já exportações de café, carnes, suco de laranja, manga, cacau, água de coco e açaí devem seguir isentas

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Produtos não foram incluídos nas listas de exceções e poderão ser taxados a partir de 15 de julho — Foto: Globo Rural

A proposta do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) de aplicar uma nova tarifa punitiva de 25% sobre produtos brasileiros deve afetar ao menos três segmentos relevantes do agronegócio: etanol, açúcar e pescados.

Esses produtos não foram incluídos nas listas de exceções e poderão ser taxados a partir de 15 de julho. A decisão é oriunda de uma investigação aberta pela administração do presidente Donald Trump em julho de 2025, baseada na Seção 301 da lei comercial do país, que apontou práticas comerciais desleais, consideradas "irrazoáveis". As restrições afetam ainda vários outros setores.

Embora as negociações entre os governos de Washington e Brasília continuem em andamento, o documento mostra que permanecem divergências relevantes.

O mercado de etanol está no radar do governo americano ao menos desde o início da administração Trump. O USTR alega que o Brasil interrompeu em 2017 o tratamento tarifário até então aplicado etanol, que viabilizava o comércio bilateral do biocombustível. O tema é de grande interesse de estados produtores de milho dos EUA, que sustentam a produção americana de etanol.

O USTR também questiona a forma como o Brasil tem lidado com o desmatamento ilegal. Para o órgão, apesar de possuir um marco legal para combater a prática — o Código Florestal, que entrou em vigor há mais de uma década —, o Brasil historicamente falhou em aplicá-lo de maneira eficaz, o que faz com que o desmatamento ilegal persista.

A leitura inicial do governo brasileiro e do agronegócio é de que as exportações de café verde, torrado e solúvel, carnes, suco de laranja, manga, cacau, água de coco e açaí seguirão isentas. Já açúcar, etanol e pescados serão sobretaxados em 25%, de acordo com a investigação do USTR.

O processo ainda passará por mais uma fase de consultas públicas e audiência sobre as tarifas, em 6 de julho.

Por Rafael Walendorff e Clarice Couto — Brasília e São Paulo


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