
A autoridade sanitária da China determinou a suspensão das importações de carne bovina do frigorífico brasileiro Pantaneira Indústria e Comércio de Carnes e Derivados, pertencente à empresa Frigosul —conhecida com SulBeef —, após ter detectado resíduos de uma substância não aprovada no país em carga de carne exportada por uma de suas unidades.
Conforme documento enviado pela adidância agrícola em Pequim ao Ministério da Agricultura do Brasil, ao qual o Valor teve acesso, a Administração Geral de Aduanas da República Popular da China (Gacc) informa ter encontrado resíduos de acetato de medroxiprogesterona, substância utilizada como medicamento veterinário e não aprovada no país, em um lote de carne congelada de bovino sem osso, proveniente do estabelecimento com SIF (registro no Serviço de Inspeção Federal) 1206.
A unidade, localizada em Várzea Grande (MT) pertence à Frigosul, conforme informado pela empresa, em seu site, sobre as localizações de suas unidades e os SIFs correspondentes.
Conhecida comercialmente como SulBeef, a Frigosul possui outras três unidades além da de Mato Grosso, localizadas nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Rio Grande do Sul. Fundada em 1998, a empresa afirma exportar para mais de 50 países.
“A autoridade chinesa destaca que a substância em questão não é aprovada para uso em animais destinados à produção de alimentos e não é naturalmente produzida, cuja presença em alimentos é proibida pela legislação chinesa”, diz o documento enviado pelos adidos do Ministério da Agricultura do Brasil em Pequim ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), subordinado à Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA).
De acordo com o documento, após a detecção da substância a GAAC rejeitou a carga e suspendeu temporariamente novas declarações de importação de produtos provenientes do estabelecimento de Várzea Grande, considerando embarques realizados a partir de 13 de abril do porto de origem.
A autoridade chinesa também solicitou ao lado brasileiro que conduza investigação sobre o caso, identifique as causas da ocorrência e adote medidas corretivas e preventivas, comunicando os resultados das apurações no prazo de até 45 dias, segundo o comunicado.
No documento, os adidos afirmam, ainda, que a ocorrência “guarda estreita relação com o panorama recentemente consolidado” pela adidância em comunicado anterior, de “crescimento expressivo e acelerado das não conformidades identificadas pela GACC em carregamentos brasileiros de carnes, em especial aquelas relacionadas a resíduos de medicamentos veterinários”.
Os adidos continuam, dizendo que “tais eventos podem transcender casos pontuais, aproximando-se de um entendimento de natureza sistêmica.”
Procurados, o Ministério da Agricultura e a Frigosul não enviaram comentários até a publicação da notícia.
As exportações de carne bovina do Brasil para a China estão submetidas a uma cota de 1,1 milhão de toneladas por ano. A expectativa da indústria é a de atender a cota de exportação para o mercado chinês até o início de maio. Apenas de janeiro a março, o volume que as empresas embarcaram já respondeu por 40% do total liberado com tarifa reduzida pelo governo do país asiático.
A cota é, atualmente, o principal ponto de preocupação para o setor. O volume determinado pela China reduz em 35% as exportações do produto do Brasil. E, na avaliação do setor, não há neste momento, uma expectativa de revisão ou de rápida abertura de outros mercados para absorver o produto que não vai para o país.
No ano passado, as exportações de carne bovina do Brasil para a China somaram 1,64 milhão de toneladas, com uma receita de US$ 8,84 bilhões, informa o sistema Agrostat, do Miniostério da Agricultura.
Por Clarice Couto e Rafael Walendorff — São Paulo e Brasília