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Fátima Cleide faz declarações duras sobre a Polícia Militar e provoca repúdio de oficiais em Rondônia

Deputada estadual eleita pelo PT afirma que a população tem medo da PM, questiona abordagens policiais e fala em “eliminação do CPF”. Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares reage e contesta as declarações.

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Fátima Cleide foi eleita deputada estadual pelo PT

A deputada estadual eleita Fátima Cleide Rodrigues da Silva (PT) tornou-se alvo de uma forte reação de representantes dos militares de Rondônia após declarações contundentes sobre a atuação da Polícia Militar, o tratamento dispensado a jovens das periferias e a letalidade policial. As falas provocaram uma nota pública de repúdio da Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares de Rondônia (ASOF/RO), divulgada neste domingo, 11 de outubro de 2026.

Fátima Cleide foi eleita para a Assembleia Legislativa de Rondônia nas eleições de 4 de outubro, quando recebeu 13.868 votos, correspondentes a 1,47% dos votos válidos, conforme os resultados da Justiça Eleitoral. A candidata conquistou uma das 24 cadeiras do Legislativo estadual e deverá assumir o mandato em 1º de fevereiro de 2027.

As declarações ganharam repercussão justamente no período posterior à eleição, colocando a futura parlamentar em confronto público com uma entidade representativa de oficiais da segurança pública estadual.


DECLARAÇÕES FORTES SOBRE A POLÍCIA MILITAR

Durante sua manifestação, Fátima Cleide afirmou considerar um desrespeito à população a situação da segurança pública e defendeu mudanças na maneira como policiais realizam abordagens, principalmente contra jovens pobres e moradores de comunidades periféricas.




Em uma das passagens mais contundentes, a deputada eleita declarou:

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Momento em que a parlamentar eleita fez as declarações

“Uma segurança que a população hoje tem muito medo da Polícia Militar.”

A petista prosseguiu questionando o tratamento recebido por jovens em situações de vulnerabilidade social.

“Se você é jovem, de periferia, pobre, sabe? Pessoa que é mais vulnerável, andou na bicicleta no meio da rua, a abordagem, ela precisa mudar.”

Fátima Cleide também utilizou uma expressão particularmente forte ao abordar o enfrentamento ao crime e a atuação policial.

“A gente precisa de segurança para combater o crime, a gente precisa, mas não pode ser eliminando o CPF, né? Não pode ser eliminando o CPF.”

A expressão utilizada pela deputada eleita faz referência à morte de pessoas, em um contexto de crítica à letalidade policial.

Em outra declaração, ela apresentou uma avaliação preocupante sobre a realidade da juventude brasileira e de Rondônia.

“Nossos jovens, nossos jovens, ou estão presos ou estão no cemitério. Infelizmente, a gente fecha escola e abre prisão todo dia.”

As afirmações, especialmente aquelas que relacionam abordagens da Polícia Militar à morte de jovens, tornaram-se o centro da controvérsia. Embora Fátima Cleide tenha defendido a necessidade de combater o crime, suas críticas à atuação policial foram duramente contestadas pela associação militar.


ASSOCIAÇÃO MILITAR REAGE E REPUDIA DECLARAÇÕES

A reação institucional veio por meio da Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares de Rondônia (ASOF/RO), presidida por Deivsson Souza Bispo.

Em nota divulgada neste domingo, a entidade manifestou repúdio às declarações da deputada estadual eleita, argumentando que suas afirmações desconsideram a realidade da segurança pública em Rondônia e o trabalho realizado pelos integrantes da Polícia Militar.

A ASOF/RO sustenta que as declarações não apresentam fundamentação adequada sobre a atuação da corporação e deixam de reconhecer o compromisso dos policiais militares com a proteção da sociedade.

A associação também destacou o sacrifício dos profissionais que morreram no cumprimento do dever, mencionando o enfrentamento ao crime organizado e os ataques criminosos registrados em janeiro de 2025 em Rondônia.

Para a entidade, eventuais irregularidades cometidas por agentes públicos devem ser investigadas individualmente, sem que isso resulte na desqualificação generalizada de uma instituição.


OFICIAIS CONVIDAM DEPUTADA ELEITA A CONHECER A REALIDADE DA PM

Além de repudiar as declarações, a ASOF/RO convidou Fátima Cleide a conhecer mais de perto a rotina dos policiais militares e as dificuldades enfrentadas pelos profissionais que atuam diariamente na segurança da população.

A associação também defendeu que a futura parlamentar contribua para melhorar as condições de trabalho da corporação, inclusive por meio da destinação de recursos para equipamentos e valorização profissional.

O posicionamento demonstra que a relação entre a deputada eleita e os representantes da categoria já enfrenta um momento de tensão antes mesmo do início de seu mandato.


DEPUTADA ELEITA RECEBEU 13.868 VOTOS EM RONDÔNIA

A trajetória política de Fátima Cleide inclui sua passagem pelo Senado Federal, onde representou Rondônia.

Nas eleições de 2026, a petista disputou uma vaga na Assembleia Legislativa e foi eleita com 13.868 votos, pelo sistema proporcional, por média.

Sua eleição ocorreu em um cenário no qual o PT conquistou duas cadeiras na Assembleia Legislativa. A outra vaga ficou com Cláudia de Jesus, que recebeu 24.383 votos.

Com a posse prevista para fevereiro de 2027, Fátima Cleide deverá participar diretamente das discussões sobre segurança pública, investimentos, fiscalização e políticas voltadas às forças policiais do estado.


POLÊMICA COLOCA SEGURANÇA PÚBLICA NO CENTRO DO DEBATE

As declarações de Fátima Cleide e a resposta da ASOF/RO evidenciam divergências sobre a atuação policial e a segurança pública em Rondônia.

De um lado, a deputada eleita defende mudanças nas abordagens policiais e questiona a violência contra jovens socialmente vulneráveis. Do outro, representantes dos oficiais militares contestam a generalização das críticas e exigem reconhecimento pelo trabalho e pelos riscos enfrentados pelos integrantes da corporação.

A nota da ASOF/RO representa uma manifestação formal de resistência às declarações da futura parlamentar. Até o momento, não foi possível confirmar manifestações oficiais de repúdio especificamente relacionadas ao episódio por parte dos comandos das Forças Armadas federais.

A controvérsia surge antes da posse da deputada e abre um debate que poderá acompanhar seu mandato na Assembleia Legislativa de Rondônia.

O espaço permanece aberto para que Fátima Cleide apresente esclarecimentos sobre suas declarações e se manifeste a respeito da nota de repúdio.





Nelson Salles da Redação

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