
A unidade da BMG Foods, instalada em Cacoal (RO), e inaugurada oficialmente no início de julho de 2024, vive um dos momentos mais delicados desde o início das operações no estado. O frigorífico, que chegou ao município cercado de expectativas, promessas de crescimento econômico e geração de mais de 400 empregos diretos, agora confirma o encerramento das atividades na Capital do Café.
A inauguração da planta industrial contou, inclusive, com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, além de autoridades estaduais, lideranças políticas, empresários, trabalhadores e representantes da comunidade regional. À época, a chegada da empresa foi tratada como um marco para o fortalecimento da cadeia produtiva da pecuária em Rondônia.
Entretanto, nos últimos meses, a realidade passou a ser outra.
A BMG Foods Importação e Exportação, braço brasileiro do frigorífico paraguaio Concepción, passou a enfrentar uma série de problemas judiciais envolvendo produtores rurais, especialmente no estado do Mato Grosso do Sul. As ações judiciais movidas contra a empresa já somam centenas de milhares de reais em cobranças relacionadas a supostos atrasos e falta de pagamentos, cenário que evidenciou dificuldades financeiras e queda na demanda operacional.
Em Cacoal, os reflexos começaram a ser percebidos de maneira silenciosa. Trabalhadores relataram períodos prolongados de afastamento das atividades, chegando a permanecer até cinco meses sem exercer funções dentro da unidade, embora continuassem recebendo salários durante esse período.
A empresa confirmou oficialmente o encerramento das atividades da unidade de Cacoal.
Segundo nota encaminhada à imprensa:
“O encerramento das atividades na unidade integra um processo de realinhamento estratégico de suas operações para garantir a sustentabilidade do negócio no longo prazo. A empresa agradece a dedicação de seus funcionários e informa que todas as verbas trabalhistas serão quitadas dentro dos prazos legais.”

A notícia provocou preocupação entre trabalhadores, fornecedores, pecuaristas e comerciantes locais. O impacto econômico deve atingir diretamente centenas de famílias, além de setores ligados ao transporte, comércio, prestação de serviços e produção agropecuária da região.
A saída da empresa também levanta discussões sobre a fragilidade econômica enfrentada por grandes indústrias frigoríficas diante das oscilações do mercado internacional, custos operacionais elevados e dificuldades de fluxo financeiro.
Enquanto trabalhadores aguardam definições sobre rescisões e direitos trabalhistas, produtores rurais acompanham atentos os desdobramentos jurídicos envolvendo a companhia.
Nelson Salles da Redação O Minuto Notícia – Informação é Poder!