
O governo federal avalia de forma positiva a criação de um fundo garantidor já para o próximo Plano Safra. A possibilidade foi defendida nesta terça-feira (13/5) pelo vice-presidente Geraldo Alckmin durante o 4º Congresso da Abramilho, em Brasília.
De acordo com o vice-presidente, a proposta em discussão prevê a criação de um fundo abastecido com recursos públicos que funcionaria como garantia parcial das operações de crédito rural.
“Você cria um fundo garantidor com recurso da União, dos Estados ou outras fontes, digamos de 10% do total. Se ninguém usar, esse dinheiro volta para o Tesouro. Mas ele permite alavancar o crédito”, explicou.
Para ele, o principal problema atual não está apenas no custo do crédito, mas no acesso efetivo aos financiamentos por produtores com restrições cadastrais, dificuldades com garantias ou dificuldades financeiras acumuladas.
“O que existe hoje é crédito com juros ainda factíveis. O problema é a tomada do crédito”, afirmou Alckmin.
Segundo ele, o modelo de fundo garantidor utilizado no Rio Grande do Sul durante a crise climática recente é considerado uma experiência positiva e pode servir de referência nacional.
Negociações
O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, confirmou que as discussões sobre o fundo garantidor, renegociação de dívidas e seguro rural já fazem parte das tratativas do próximo Plano Safra.
Segundo ele, o governo busca construir um programa que combine expansão do crédito com condições financeiras mais adequadas ao produtor.
“Estamos trabalhando muito para não apenas apresentar um Plano Safra crescente, mas também acomodar preocupações com juros que caibam no bolso dos produtores rurais e com as dívidas”, afirmou.
André de Paula disse ter visão positiva sobre o fundo garantidor. “É exatamente nos momentos de maior crise que as soluções surgem”, declarou.
De acordo com o ministro, parte das medidas poderá ser incorporada já no próximo Plano Safra, enquanto outras deverão permanecer em discussão ao longo dos próximos anos.
Tempestade perfeita
A senadora Teresa Cristina afirmou que o setor agropecuário enfrenta uma “tempestade perfeita”, resultado da combinação entre crises geopolíticas, baixa rentabilidade, custos em alta e encarecimento financeiro.
Segundo ela, os efeitos acumulados da guerra entre Rússia e Ucrânia e do novo conflito no Oriente Médio afetam fertilizantes, logística e custos de produção. “Estamos vivendo uma crise que ainda está no começo”, declarou.
A parlamentar citou que as discussões sobre renegociação de dívidas já envolvem valores muito superiores aos inicialmente estimados.
Segundo ela, o passivo potencial chega a mais de R$ 170 bilhões, considerando dívidas não bancárias e operações privadas.
“Equacionar isso traz tranquilidade até para os bancos e para o governo, porque não será necessário enfrentar essa situação todos os anos”, afirmou.
Teresa Cristina também mencionou o projeto de lei 5.122, aprovado pela Câmara há dois anos, inicialmente voltado ao Rio Grande do Sul, mas afirmou que o agravamento das perdas climáticas e da situação financeira ampliou o alcance do problema.
Por Daniel Azevedo Duarte — Brasília