Na tentativa de escapar das incertezas esperadas para 2026, o agronegócio brasileiro acelerou as operações de fusões e aquisições (M&A, na sigla em inglês) no ano passado. A eleição presidencial no Brasil e o cenário macroeconômico global são exemplos de fatores que tornam o ambiente mais incerto neste ano.
Empresas do setor agropecuário fizeram 60 operações de fusões e aquisições no país no acumulado de janeiro a novembro de 2025, número 30% maior que o registrado no mesmo período de 2024, de acordo com análise da PwC Brasil divulgada na quinta-feira (8).
Os dados referentes ao ano passado completo ainda não estão disponíveis. A estimativa da PwC é de que o agronegócio tenha fechado 2025 com cerca de 70 operações de fusões e aquisições, número que, se confirmado, representará alta de 40%.
“Diante da perspectiva de incertezas para 2026, as operações de M&A têm sido utilizadas como uma estratégia de sustentação, especialmente diante do aperto nas margens operacionais”, afirmou em nota.
Além disso, com o mercado de Ofertas Públicas Iniciais (IPOs, na sigla em inglês) pouco favorável, fusões ou negociações de ativos surgem como alternativas para empresas que buscam mais estabilidade financeira.
Nas operações realizadas até novembro, predominaram os investidores nacionais, responsáveis por 41 transações, ou seja, 68% do total no período. Na sequência, apareceram compradores dos Estados Unidos, envolvidos em três operações, de acordo com a consultoria.
Na visão da SRX Holdings, holding de investimentos especializada em aquisições estratégicas e reestruturação de empresas, apesar das incertezas previstas para este ano, o mercado pode continuar aquecido para as fusões. “[Há] maior atratividade de empresas agroindustriais localizadas fora dos grandes centros”, avaliou José Loschi, fundador da SRX Holdings.
Por Nayara Figueiredo — São Paulo